José Pedro Pereira da Costa, CFO do FC Porto, lamentou, durante um dos painéis desta sexta-feira do 'Portugal Football Summit', que o nosso país esteja a lutar "de forma desigual" com outros no que diz respeito ao futebol, fruto de critérios como a fiscalidade.
"Pensamos que é possível fazer mais e melhor no sentido de monetizar melhor o nome do FC Porto fora de Portugal e o Mundial de Clubes deu-nos uma primeira amostra, com um crescimento incrível nas redes sociais. As áreas core continuam a ser as mais relevantes na gestão de um clube de futebol: receitas da UEFA, direitos de TV, comerciais (entre as quais de bilhética) e vendas de jogadores. Estamos muito dependentes das receitas da UEFA, dos direitos de TV e da venda de jogadores. Nas duas primeiras temos duas ameaças. A primeira é não conseguir chegar ao 6.º lugar do ranking. Pelas minhas contas, são 50 milhões de euros de diferença. Dos 600 milhões de receitas do futebol português, 32 por cento vêm da UEFA. É fundamental a ambição de voltarmos ao sexto lugar e colocar três equipas na Champions. Não é um desafio fácil. Se não pontuarmos mais do que a Bélgica, vamos manter o 7.º lugar. Para conseguirmos a 6.ª posição no ranking é fundamental que a segunda linha de clubes que participam nas competições europeias tenham mais sucesso. Em 5 edições da Liga Conferência só uma vez apurámos equipas", referiu, inicialmente.
E completou: "Sobre os direitos de TV, o mercado é diferente do que era em 2015/16. Noutras ligas está em decréscimo, em Portugal estamos com este processo de centralização e as perspetivas são positivas. O FC Porto está a participar de forma construtiva, a procurar maximizar a receita. A redistribuição destes valores tem de ter em conta a manutenção da capacidade competitiva das equipas que participam nas provas europeias e contribuem com receitas para o futebol português. Os direitos de TV representam 20 e tal por cento das receitas totais dos clubes. Se essas componentes começam a decrescer é um problema. Reduzimos em 30 milhões de euros os nossos custos de 23/24 para 24/25. Os clubes portugueses têm custos de contexto que os fazem lutar e forma desigual, como fiscalidade. Nos salários de jogadores, mais de 50 por cento é impostos e Segurança Social. Não quero sistemas de IRS diferentes para jogadores de futebol, mas era bom alinharmo-nos com a média europeia. Somos o país da Europa com maior taxa de IRS e com o IVA dos bilhetes e seguros de acidentes de trabalho mais altos da Europa".
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