Rodrigo Mora: a gestão das expectativas, o papel de Farioli e o alvo a abater

Rodrigo Mora no treino do FC Porto
• Foto: Ricardo Jr

Rodrigo Mora não deixou pergunta sem resposta, em declarações à BetanoMag. Falou de como Deco o inspira, da forma como evoluiu individualmente, no papel de Farioli na conquista do título, da exigência do FC Porto e ainda falou do impacto que a conquista do campeonato terá na próxima temporada. A esse propósito, deixou alguns alertas: "No ano passado partíamos os dois com feridas, este ano se calhar já estão curadas, mas podem-se abrir, por isso temos que ter cuidado. Não podemos entrar como 'os campeões' e achar que vai estar tudo bem. Temos que entrar como entrámos este ano, em que acho que não facilitámos em nenhum jogo. Somos campeões, vamos ser uma equipa a abater, mas depende de nós. Se entrarmos como entrámos este ano, nenhuma equipa nos consegue parar", afirmou.

De que forma a forte cultura de exigência do FC Porto te fez crescer como jogador? Eu gosto da exigência. No FC Porto, os adeptos e toda a estrutura exigem muito, seja em que jogo for. Deu para ver agora também no no último jogo, já há campeões, mas mesmo assim os adeptos e nós não gostamos de perder. O FC Porto não está habituado a perder e essa é a realidade.”

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Onde sentes que mais evoluíste? “Em muitas partes do jogo, a nível defensivo muito. Trabalhei muito com o míster e com a equipa técnica para evoluir nesse passo que o míster também queria. Acho que estou um jogador mais completo, evoluí muito mais nas coisas que eu não sabia tanto, mas agora acho que estou um jogador mais completo, diferente do que era no ano passado. Estou feliz por ter melhorado bastante esta época.”

Todos te apontam um futuro promissor. Como tens lidado com essa expectativa?  "Eu não vejo nada com isso, para mim é algo tranquilo. Acho que desde o início as pessoas esperam sempre algo a mais da minha parte, mas eu tento jogar o meu futebol. Se depois as pessoas falam bem ou mal, acho que não depende de mim. O que importa é eu jogar bem, jogar para o grupo; depois, o que as pessoas falarem não me importa."

Que jogador do FC Porto mais te inspirou quando eras mais novo? "Acho que já disse isso várias vezes: era o Deco, claro. Tento sempre olhar para ele, era um jogador de classe mundial e, sem dúvida, é ele."

Ainda manténs amizade com alguns jogadores da formação? Algum com quem esperas partilhar o balneário para o ano? "Sim, acho que partilho com todos, continuo a falar com todos, especialmente os que estão na Equipa B. Mas acho que aquele com quem mais tenho amizade é o Tiago Silva, que se estreou agora no jogo frente ao Aves. Porque quando cheguei ao FC Porto ele também já estava aqui, então é uma amizade que já dura há vários anos. Vê-lo estrear-se pelo FC Porto é algo que me deixa feliz e fico muito contente por ele ter conquistado este objetivo."

Houve algum jogador que tenha sido especialmente importante para ti esta época? " Sim, sem dúvida. Passei os meus dias todos com eles, fora daqui e dentro daqui. Foi o João Costa. Ele foi sempre aquela pessoa que me ajudou a escolher qual era o melhor caminho, sempre a dar-me o caminho certo. Por isso, sem dúvida, estou-lhe muito grato por me ter ajudado esta época."

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Que papel teve Farioli nesta conquista? Muito, muito. Acho que é muito porque ele conseguiu introduzir uma ideia de jogo muito boa e a equipa uniu-se a essa ideia. Acho que outro pilar desta conquista foi a estrutura, que também acho que acertou muito nas contratações que fez. Por isso, também dou os parabéns à estrutura, ao mister e à equipa técnica."

O que é que o treinador mais vos exigiu, dentro e fora de campo? "Acho que dependia dos momentos, o mister pedia diferentes coisas, mas claro que, com o passar do tempo, foi a parte mental. O futebol português é assim, fala-se muito e já sabemos disso. A parte mental é não tentar ligar ao que vem de fora, porque já sabemos como é que isto é e fala-se muita coisa. Nós temos que nos focar só no nosso, porque se o fizermos, tudo vai correr bem e tudo vai ao sítio."

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Há alguma mensagem do mister que tenhas guardado? "Sim, a que mais ficou foi logo no início, quando o mister tinha chegado. Ele disse que tínhamos todos algumas feridas. E é verdade, tínhamos os dois várias feridas: ele do Ajax e nós da época difícil que sofremos na época passada. Mas ele disse que as feridas iam curar, e curaram-se."

Como descreves o ambiente entre vocês depois da confirmação do título? "O ambiente está... está tudo feliz, tudo contente. Toda a gente queria muito este título. Era um título que já fugia há algum tempo e acho que a equipa agora está muito feliz. Era este o nosso objetivo este ano e estamos felizes por o ter conquistado."

Quem são os animadores da equipa? "Eu posso ser também, mas acho que o Zaidu. O Zaidu é um bom animador."

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Há alguma história desta época que represente a união do grupo? "Acho que o momento de que me lembro foi no início da época, quando houve a praxe de os jogadores cantarem. Foi na Áustria e lembro-me de que os "místers" cantaram também, pois eram novos. Quando começaram a cantar, toda a gente correu para eles e começou toda a gente a saltar e a cantar. Acho que isso foi um momento de união, apesar de ainda estarmos ali no início, na pré-época, mas já mostrou a união que este grupo ia ter e que teve."

Que papel tiveram os adeptos nesta caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis? "Sim, eles foram, sem dúvida, o 12º jogador. Em todos os jogos, fosse na Liga Europa à quinta-feira, fosse ao domingo ou à segunda, que não é fácil, porque as pessoas trabalham, mas eles estiveram lá a apoiar. Sem dúvida que foram muito importantes para nós. Puxaram por nós, o que é importante, e a equipa percebeu isso. Puxaram-nos para cima para conquistar este título que eles e nós tanto queríamos."

És um dos preferidos dos adeptos. Como costumam abordar-te na rua? Tens alguma história engraçada? "Histórias não sei, sinceramente. É normal abordarem os jogadores. Acho que o que eles mais me pedem normalmente, se eu for à rua um ou dois dias antes do jogo, é para ganhar o jogo. É uma coisa normal neste clube: os adeptos querem muito que o FC Porto vença e é isso que pedem, que vença e mais nada. Claro, as pessoas dizem também para marcar um golo ou para lhes dedicar um, mas isso são coisas normais."

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O que é que esta conquista mostra sobre aquilo que a equipa ainda pode alcançar? "Já provámos a qualidade que temos, não só na conquista deste título, mas também na Liga Europa, onde acho que tivemos um bocado de azar. Podíamos ter chegado mais longe, mas mostrámos a qualidade que temos, mesmo a jogar com menos um no último jogo contra o Nottingham. Foi por pouco que não chegámos às meias-finais. Esta equipa, para o ano, vai lutar outra vez pela conquista do título e, na Champions League, tentar chegar o mais longe possível."

Que objetivos tens para o futuro próximo? "Para o futuro, sinceramente, acho que neste momento a Seleção, o Mundial, é o meu próximo sonho e objetivo. Seria um sonho a dobrar, porque ter conquistado a liga pelo FC Porto já foi uma coisa de malucos, e agora ir ao Mundial era tudo o que eu queria. Seria um ano a acabar da melhor forma. Vou continuar a dar o meu máximo e esperemos pela convocatória."

Esta conquista que impacto vai ter no início da próxima época? "No ano passado partíamos os dois com feridas, este ano se calhar já estão curadas, mas podem-se abrir, por isso temos que ter cuidado. Não podemos entrar como 'os campeões' e achar que vai estar tudo bem. Temos que entrar como entrámos este ano, em que acho que não facilitámos em nenhum jogo. Somos campeões, vamos ser uma equipa a abater, mas depende de nós. Se entrarmos como entrámos este ano, nenhuma equipa nos consegue parar.”

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Por Nuno Barbosa
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