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Villas-Boas atira aos clubes que dissolvem "dívidas como se não fossem nada através dos PER": «E continuam na 1.ª Liga...»

André Villas-Boas, presidente do FC Porto
• Foto: Luís Vieira/Movephoto

André Villas-Boas aponta as "infraestruturas, tecnologia, reformatação de quadros competitivos e uma lei muito mais agressiva nos licenciamentos" como áreas a mudar no futebol português. Numa longa entrevista ao canal de Youtube 'Primeiro Toque', o presidente do FC Porto recordou os "clubes históricos" que se 'perderam' e "reconstruíram", deixando ainda a farpa: "o FC Porto não pode estar obrigado sob lei UEFA a fazer face às suas obrigações para com clubes aos quais deve capital e dinheiro por causa de contratações de jogadores, e haver clubes que submetem PER e que dissolvem essas dívidas como se não fossem nada através dos PER e continuam a estar na Primeira Liga". 

"Já perdemos — que se reconstruíram, mas já perdemos — das ligas principais o Belenenses, o V. Setúbal, o Boavista, entre muitos outros clubes históricos de grande marca e de grandes marcas, e sem capacidade para se manterem vivos, que se reconstruíram a partir de baixo e que gradualmente tentam fazer o seu caminho de regresso. A lei e a organização das competições, a lei do licenciamento tem que ser muito mais agressiva. Portanto, o FC Porto não pode estar obrigado sob lei UEFA a fazer face às suas obrigações para com clubes aos quais deve capital e dinheiro por causa de contratações de jogadores, e haver clubes que submetem PERs [Planos de Recuperação Económica] e que dissolvem essas dívidas como se não fossem nada através dos PERs e continuam a estar na Primeira Liga, enquanto há clubes que são honrados e fazem face às suas obrigações, cumprem as suas obrigações, cumprem os seus salários, cumprem com os clubes aos quais compram jogadores... E é sobretudo esse panorama: o panorama das infraestruturas, da tecnologia — tecnologia VAR, a tecnologia de offsides automáticos, a tecnologia de linha de golo —, portanto, o investimento na tecnologia, investimento nas infraestruturas, investimento nos estádios... Portanto, se nós rapidamente passarmos, muito em breve, imagens do campeonato dinamarquês, sueco e norueguês, por exemplo — já para não falar do holandês e do belga, que deviam ser o nosso nível porque são as equipas que estão em sétimo e oitavo no ranking da UEFA —, vemos estádios modernos, cheios, grande representatividade regional, grandes massas associativas em movimento, condições únicas. E, a título de exemplo, o campeonato dinamarquês começa a pagar cada vez mais porque está a crescer com os atletas que lá tem, apesar de ser um campeonato que exporta jogadores. O que faz com que no futuro, se os clubes portugueses não estiverem atentos, começam a perder também para esses mercados, começam a perder talentos, começam a perder capacidade competitiva e, gradualmente, a situação pode ser cada vez pior", afirmou o dirigente portista.

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Por Sofia Lobato
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