_
"Uma nova época não pode começar sem olharmos também para aquilo que ameaça a sua serenidade e a credibilidade das competições", começa por escreve André Villas-Boas na mais recente edição da revista Dragões, publicada esta segunda-feira, sugerindo, mais à frente, que Luciano Gonçalves deveria suspender temporariamente as suas funções enquanto presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.
"O setor da arbitragem inicia a temporada envolvido numa crise institucional que não augura nada de bom. O FC Porto alertou repetidamente, ao longo da última época, para fragilidades no funcionamento do Conselho de Arbitragem, para a instabilidade criada sobre os árbitros e para a necessidade de maior independência, uniformidade de critérios, profissionalização e transparência bem como a renovação tardia da tecnologia VAR", prosseguiu o presidente do FC Porto, indo depois às notícias recentes a dar conta que chegaram à Polícia Judiciária suspeitas de corrupção relacionadas com as nomeações de árbitros.
"O processo disciplinar relativo às alegadas interferências nas nomeações foi arquivado pelo Conselho de Justiça por insuficiência de indícios e proteção das comunicações privadas. Esse arquivamento deve ser respeitado mas não atenua a desconfiança instalada na liderança do setor. As notícias recentemente conhecidas dão conta de que a Polícia Judiciária recebeu uma participação e está a desenvolver diligências sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências relacionadas com essas nomeações. Não antecipamos conclusões, não fazemos condenações públicas e não nos substituímos às autoridades. Esperamos, isso sim, um apuramento célere, rigoroso e completo", escreve ainda André Villas-Boas, visando de seguida Luciano Gonçalves.
"Consideramos por isso prudente que o Presidente do Conselho de Arbitragem suspenda temporariamente as suas funções enquanto defende o seu bom nome e os factos sejam esclarecidos. Não como antecipação de culpa, mas como proteção da própria pessoa, da função que exerce e da instituição que representa", considera o presidente do FC Porto, concluindo, depois, sobre o tema.
"Esperamos também uma posição mais firme e clara da Federação Portuguesa de Futebol. A sua Direção assumiu diretamente o pelouro da arbitragem e não pode tratar esta crise como uma mera divergência interna. O que está em causa é a confiança nos processos, nas nomeações e na integridade das competições após uma época desastrosa", rematou André Villas-Boas.
Por Nuno Barbosa