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Jérémy Mathieu terminou a carreira de futebolista profissional no Sporting, em 2020, após sofrer um rotura do ligamento cruzado anterior.
Mais de seis anos depois, o antigo defesa concedeu uma longa entrevista ao 'So Foot', onde revelou um episódio que viveu no ano passado, em 2025, com o Sporting, cujo desfecho não agradou o internacional francês.
Contudo, segundo Record apurou, o ex-leão nunca solicitou qualquer apoio psicológico ao Sporting, confirmando-se apenas um pedido de ajuda financeira para abrir a citada academia em França.
"Depois [de acabar a carreira], entrei numa espiral negativa. Tive uma depressão, não vale a pena esconder. O relvado, os balneários, tudo aquilo que conhecíamos fazia-me falta. Não tive tempo para preparar o meu pós-carreira por causa dessa lesão. Ainda pensava jogar mais dois anos, por isso, mentalmente, custou-me aceitar a situação", começou por dizer.
"Passei quatro anos a viver no escuro. Felizmente, a minha mulher esteve lá para me ajudar a sair dessa. Eu já não sabia o que fazer. Estava totalmente perdido. Durante quatro anos, não fiz nada. Ficava em casa 24 horas por dia. Saía de vez em quando, mas nunca por muito tempo. Ficava no sofá, à frente da televisão, com o telemóvel. Nem o futebol me interessava. Viu uma parte e, se o jogo fosse fraco, mudava de canal. Andava às voltas, levantava-me do sofá, caminhava pela casa e suspirava. O dinheiro não representa nada. O lado humano faz toda a diferença", explicou antes de revelar a tentativa de contacto com o Sporting.
"Em 2025, pedi ajuda ao Sporting, nomeadamente um acompanhamento psicológico, mas não só. Tinha um projeto em mente, mas não se concretizou. É uma pena, até porque tinha ajudado o clube quando me pediram para baixar o salário. Continuo sem saber por que razão recusaram. Queria criar uma pequena academia em França e ligá-la ao Sporting. Contactei o diretor desportivo por mensagem. Disse-lhe: 'Vou a Lisboa, podemos ver-nos?'. Encontrámo-nos na segunda-feira na Academia. Conversámos. Contei-lhe os problemas com que me tinha deparado e ele disse-me que ia falar do meu projeto ao presidente para tentar ajudar-me", contou.
"Na quarta-feira, o Sporting jogava para a Taça contra o Porto. Assisti ao jogo. Instalaram-me num camarote. Assim que o jogo terminou, fiquei dez a quinze minutos à espera do presidente. Liguei para o meu contacto a perguntar se podia descer aos balneários. E aí, deixou de me responder. Por fim, outro contacto veio buscar-me. Desci para o túnel e fiquei 45 minutos pendurado", prosseguiu.
"Sentia-me como um estranho. Tinha a sensação de não ter feito nada pelo clube. Tinham-se esquecido de mim e isso magoou-me. Prefiro que me digam que não do que me deixem pendurado. Acabei por conseguir falar com o diretor desportivo, que me disse diretamente: 'Não posso fazer nada por ti e, de qualquer forma, o presidente já se foi embora'. Fiquei desgostoso. Fui-me embora de Lisboa no dia seguinte", concluiu.
O jogo a que Mathieu parece referir-se trata-se das meias-finais da Allianz Cup, no dia 7 de janeiro de 2025 - numa terça-feira e não quarta-feira -, no qual o Sporting venceu (1-0) o FC Porto com um golo de Viktor Gyökeres.
Na altura, Hugo Viana ainda era diretor desportivo do Sporting, embora já tivesse o destino traçado para o Manchester City. A mudança definitiva ocorreu um mês depois, em fevereiro de 2025, com Bernardo Palmeiro a assumir a pasta do futebol da turma verde e branca daí em diante. Na entrevista, Mathieu não esclarece quem é a pessoa a que se refere como "diretor desportivo".
Por João Falcão Morais