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Do encanto inicial a época "bastante perturbadora": Freddy Adu recorda passagem pelo Benfica

Freddy Adu
• Foto: João Trindade

Freddy Adu rumou ao Benfica com 18 anos no verão de 2007, na mesma janela de transferências em que um jovem Ángel Di María chegava para jogar pelos encarnados. O extremo norte-americano fora comparado a Pelé pela tenra idade (14 anos) em que começou a dar que falar no mundo do futebol, mas não correspondeu às expectativas de águia ao peito. Adu, agora com os seus 37 anos e já reformado, não esquece a passagem pelo Benfica, mas admite que foi quando chegou à Luz que a carreira teve uma reviravolta pouco positiva e tudo começou a ganhar "um efeito bola de neve". 

"Por muito que goste do Benfica, quando cheguei lá, a forma como a primeira época correu, teve um enorme impacto na minha carreira. Joguei bem, sentia-me bem, mas a situação era tão instável. Passar por três treinadores era algo a que não estava habituado. Pensei: 'Isto não pode ser assim.' Depois, aceitei o empréstimo para o Monaco. Se tivesse permanecido no Benfica, como aconteceu com Di María, e simplesmente continuado a jogar e a trabalhar, isso provavelmente teria sido muito melhor para mim. Mas depois as coisas ganham um efeito bola de neve. Vais emprestado, não jogas, acontecem muitas coisas nos bastidores, surgem problemas dentro e fora do campo. Eventualmente tens de descer para um campeonato menos competitivo para tentar jogar mais minutos e, a partir daí, uma coisa leva à outra", recordou Freddy Adu em entrevista à revista 'Four Four Two'.

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No verão de 2007, o avançado norte-americano também era associado a uma transferência para o Manchester United, onde jogava Cristiano Ronaldo, mas optou por rumar ao Benfica.  "Sinceramente, não sei porque é que a transferência não se concretizou. Eu era muito jovem e tinha o meu agente a apresentar-me propostas de vários clubes. Na altura, o Benfica parecia ser a melhor opção para mim, o local onde teria mais oportunidades de jogar e evoluir. No final de contas, não foi isso que aconteceu", frisou Adu, admitindo que deixou a decisão para os adultos envolvidos: "O meu agente achava que o Benfica era uma boa opção, tal como as pessoas que me rodeavam e os meus conselheiros. Para mim, Portugal tem um excelente campeonato, mas naquela altura, nos Estados Unidos, não sabíamos muito sobre a liga portuguesa. Sabíamos mais sobre as ligas inglesa, espanhola, italiana e alemã, por isso eu queria ir para uma delas. Esse foi sempre o meu sonho. Mas, com as opções que me foram apresentadas, o meu agente e os adultos envolvidos acharam que o Benfica seria um bom ponto de partida."

Freddy Adu admite que reconheceu de imediato a dimensão dos encarnados quando chegou em 2007/08, mas não esconde a desilusão que sentiu. "Toda a gente quer acabar por jogar num dos maiores clubes do mundo, então isso estava sempre presente no meu pensamento. No entanto, quando cheguei ao Benfica, percebi quão grande o clube era e quão incrível era o ambiente. O que me deixou desiludido com o Benfica foi o facto de ter passado por três treinadores diferentes no meu primeiro ano e de tudo ser tão instável. Chegava um treinador novo com as suas próprias ideias e os seus jogadores de confiança. Depois chegava outro treinador e também tinha os seus preferidos. Era tudo muito inconsistente. Foi a minha primeira época a jogar na Europa e, sinceramente, foi bastante perturbadora desde o início. Depois disso, tudo começou a correr mal", atirou o ex-jogador norte-americano. 

Embora a passagem pelo Benfica não tenha corrido às mil maravilhas, Adu realça que foi na Grécia, ao serviço do Aris, que passou pela pior experiência da carreira. "Vou ser completamente sincero: foi a Grécia. Quando fui para o Aris... enfim, tive várias experiências na minha carreira, mas essa foi uma má experiência. Fui emprestado por um ano e acabei por sair ao fim de seis meses. Tanto a passagem pelo Aris como a que tive no Bahia, no Brasil, não foram experiências agradáveis. Na Grécia, havia muita pressão externa proveniente da direção do clube, numa tentativa de me levar a fazer determinadas coisas que não eram do meu interesse. Não quero entrar em detalhes, mas foi uma experiência terrível", revelou.

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Por Guilherme Cabral
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