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Na passada 3.ª feira, de Alvalade surgiram vários comunicados enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que funcionaram como uma autêntica bomba não só no universo verde e branco mas também no futebol português. A direção da SAD do Sporting, presidida por Bruno de Carvalho, propôs a aprovação de um processo de ações de responsabilidade civil contra os ex-administradores Godinho Lopes, Luís Duque, Carlos Freitas e Nobre Guedes. No dia após ter estalado o verniz, as reações dos “acusados” foram escassas: Duque comentou, horas após terem saído os documentos, a situação ao nosso jornal. Nos restantes nomes, reinou o silêncio: uns por opção outros por outros tipo de impossibilidade. Até porque, até ao momento, as intenções dos atuais dirigentes da SAD não passam mesmo disso (de intenções). Para que todos possam responder perante a justiça, primeiro os acionistas terão de dar luz verde na reunião magna marcada para o dia 1 de outubro, pelas 18 horas.
Maioria
Explicamos-lhe agora como se pode – ou não – dar um parecer favorável para que as intenções passem a atos efetivos. Na assembleia, irão marcar presença todos os acionistas que estão dentro do total imputável de participações qualificadas na Sporting SAD, neste caso correspondentes a um total de 34.834.678 ações (o total do capital são 39 milhões), ou seja, 89,32% do total do direito ao voto. Aí estão inseridas participações diretamente ligadas ao Sporting e outras às empresas que fazem parte do grupo deste clube.
Para que a proposta passe em assembleia basta que haja uma maioria simples, não exigente a maioria de votos do total do quórum. Neste caso, e detendo a Sporting SAD a maioria do capital da empresa, prevê-se que seja fácil transformar estas propostas em... processos.
Gomes Pereira saiu em 2011 após aquisições
• Um dos fundamentos que o conselho de administração da SAD realçou nas acusações feitas aos ex-administradores refere-se ao facto de dois ex-jogadores do Sporting terem assinado contrato mesmo que o parecer médico, da equipa encabeçada por Gomes Pereira, fosse no sentido destes atletas não terem condições para competir a este nível. A 11 de agosto de 2011, à RTPN, Luís Duque, então administrador da SAD dos leões, referiu que a saída de Gomes Pereira, anunciada dois dias antes, foi nada mais que um “ato de gestão”. “Fechou-se um ciclo. Aquela casa não vence há muitos anos e tem sido um cemitério de jogadores, treinadores e dirigentes. Alguma coisa tinha de mudar”, assinalou.
Ponto da situação
» No dia depois das intenções de processos a Godinho Lopes, Luís Duque, Carlos Freitas e Nobre Guedes, reinou... o silêncio em Alvalade, sendo que só Bruno de Carvalho abordou o assunto por duas ocasiões
» Até porque, para já, só existem mesmo intenções. Para que os nomes referidos possam responder perante a justiça é preciso que os acionistas da SAD aprovem a proposta feita pelo conselho de administração
» Para que isso seja possível, basta que haja uma maioria simples na reunião magna marcada para 1 de outubro, pelas 18 horas. Quer isto dizer que não é uma condição a existência da maioria dos votos adjacentes a todo o quórum.