A viver um pesadelo desde o caricato golo sofrido no Restelo, diante do Belenenses, na última jornada da Liga, Rui Patrício está agora de volta à Alemanha, esse país maldito para o guarda-redes. Desta vez para defrontar o Wolfsburgo, na 1.ª mão dos 16 avos-de-final da Liga.
Será a estreia de Rui Patrício em duelos contra este adversário, mas a origem do mesmo traz à memória um passado tortuoso. Afinal, é da Alemanha que vêm os adversários que mais golos lhe marcaram...
Em 97 jogos internacionais, entre compromissos de Sporting (62) e Seleção Nacional (35), Patrício consentiu 114 golos: 75 na baliza dos leões; 39 na baliza nacional. Da Alemanha, a “sua” terra dos horrores, foram “só” 19. golos encaixados...
O capitão do Sporting tem neste jogo das competições europeias a oportunidade ideal para dobrar as tormentas e logo num país de onde têm saído as equipas estrangeiras que mais golos lhe marcaram. Na memória recente, o tal lance em que pontapeou a bola contra Paulo Oliveira e permitiu a Rui Fonte marcar para o Belenenses; na memória mais distante, continuam, porém, fantasmas alemães. Se há jogo contra germânicos, há contas aos golos sofridos pelo internacional português nestes confrontos. É inevitável.
O golo consentido no passado sábado, véspera do seu 27.º aniversário, foi tão insólito quanto a polémica que o envolveu. Através do seu erro, o Sporting voltou a desperdiçar pontos. Pior: houve quem se aproveitasse da infelicidade de Patrício para fins publicitários e as reações não se fizeram esperar. Do presidente leonino a antigos companheiros, da Federação Portuguesa de Futebol à Liga de Clubes, não faltaram declarações públicas de apoio. Houve até retrocesso dos autores da campanha publicitária, com direito a pedido de desculpas a clube e jogador. Polémica à parte, o guarda-redes voltou ao trabalho com um objetivo claro: virar costas aos pesadelos. Ao de Belém e ao alemão, entenda-se.
Desafio
Patrício – sabe Record – foi alvo de manifestações de apoio por parte de treinadores e companheiros, logo após o final do jogo com o Belenenses. Mas nem era preciso... A sua carreira está repleta de reações positivas a momentos adversos. Até se tornar dono e senhor das balizas de Portugal e do Sporting, Patrício teve de trabalhar quase a dobrar, tantas foram as provações por que passou, sobretudo nos primeiros anos da sua carreira.
Amanhã, volta a jogar na Alemanha, país de onde nunca saiu sem sofrer golos. Em seis jogos em solo germânico, 12 golos encaixados. Eis uma barreira psicológica para reverter em fator motivacional.
FACTOS E NÚMEROS
Bestas negras. Alemães (19), espanhóis (14), ingleses (11)e dinamarqueses (10) foram quem mais golos marcou a Patrício em compromissos internacionais, entre jogos pelo Sporting e por Portugal
Barça de má memória. A nível de clubes, o Barcelona lidera a lista, com oito golos marcados a Rui Patrício, em dois jogos da fase de grupos da Champions, em 2008/09. Cinco em Alvalade (5-3); três em Camp Nou (3-1)
Mannschaft. A Alemanha foi a seleção que mais marcou a Patrício: um golo no Euro’2012;
Quatro no Mundial’2014. Seguem-se Dinamarca (4), Israel (4), Brasil (3), Irlanda do Norte (3), Islândia (3) e Turquia (3)
Sempre a sofrer. Patrício sofreu sempre que jogou em solo alemão. Foram 12 golos
Em seis duelos. O Hertha foi o único clube que passou um jogo sem o bater, mas em Alvalade