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O treino de alto rendimento foi tema important no segundo e último dia do Fórum ANTF 2026, painel que juntou Rui Borges, Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal. Destaque, sem desprimor para os restantes, para o treinador do Sporting - elogiado pelos homólogos -, que lamentou a impossibilidade de ter semanas 'limpas' para treinos aquisitivos. Adepto da repetição para cimentar rotinas, o mirandelense, de 44 anos, deu o seu exemplo, do momento em que entrou na Academia até aos dias de hoje, garantindo ter-se adaptado à realidade de um clube grande.
"Quando comecei [a carreira de treinador], trabalhava todos os momentos de jogo, todas as semanas, sempre em função do adversário, pois achava que quem fosse mais equilibrado, teria mais sucesso. Acreditava muito nisso, acredito muito nisso, mas é preciso ter tempo para treinar. É difícil, hoje, ir a tudo, portanto foco-me no essencial. Quando cheguei ao Sporting, cheio de vontade, queria treinar e não podia - e tinha de ganhar, de ser campeão. Foi uma dificuldade grande. Sou obcecado pelo treino, acredito que a repetição nos leva a ser melhores... Numa semana normal, vamos buscar sempre algo para a equipa; e chegamos ao jogo e estamos melhores; não treinando, vamos perdendo certas coisas, pequenos hábitos - ou ficamos mais desconcentrados em certos jogos", atirou.
E... rematou, logo a seguir: "No início [da aventura no Sporting], foi uma dificuldade enorme, até porque tivemos os problemas das lesões, não tínhamos jogadores para treinar e um sistema que não era muito meu.... Treinando todos os momentos, vamos estar mais preparados. Digo sempre que há vários momentos do jogo: não vamos estar sempre em pressão alta nem vamos ter sempre bola; é diferente chegar e dizer que vamos jogar com o Arsenal - e eles aqui olham mais para o momento defensivo; se falo de uma equipa de meio da tabela e falo num bloco médio... Eles querem é ter bola e ir para cima. No treino, explicamos e eles vão acreditando, ligando-se na exigência. O treino dá muito, mas os treinadores têm de se adaptar. Quando não há tempo? O inegociável é o vídeo, as imagens... Daí a semana longa ser importante. Até a mim me deixa desconfortável. Papas 20% e os outros 80... assim assim. Passas demasiada informação no -1 [dia anterior ao jogo]. A parte do vídeo, a estratégia, os esquemas... Tento ser o mais leve possível. É muita informação e ficamos na dúvida se a equipa a consegue levar toda. Mas felizmente tem resultado."
Rui Borges dirigiu-se por fim, à plateia, mas também aos seus companheiros, numa conferência apresentada por Tarantini, treinador do Paredes: "Queria mais tempo aqui, com os meus colegas, para ter mais conhecimento. Pelo futsal teria conhecimento de algo que nos podia ajudar; mesmo com o míster Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal, com os quais me identifico muito e que têm carreiras fantásticas. Roubaria tempo a ambos para poder roubar conhecimento."
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