Há um desporto milenar que prepara a sua estreia em Portugal, em sintonia com um crescimento mundial que passa já por mais de cem países dos cinco continentes. O Lisboa Dragon Boat Festival, agendado para o último fim-de-semana de setembro (25 a 27), promete ser muito mais do que um evento desportivo, atraindo para a zona oriental da capital também fãs da cultura e da gastronomia chinesas.
Toda a ação estará centrada na Doca dos Olivais, no espelho de água onde se situam dois ícones do período da Expo 98 – o Oceanário de Lisboa e o Pavilhão de Portugal.
Os dragon boat, ou barcos-dragão, têm uma história milenar enraizada na cultura chinesa. A sua origem remonta há mais de 2 500 anos, estando associada à lenda de Qu Yuan, um poeta e conselheiro político conhecido pela sua lealdade e patriotismo. Segundo a tradição, após ser injustamente exilado, Qu Yuan lançou-se ao rio Miluo em sinal de protesto. A população local, na tentativa de o salvar ou recuperar o seu corpo, saiu em barcos, batendo tambores e lançando arroz à água para afastar os peixes. Este ato deu origem ao Festival do Barco-Dragão, celebrado até hoje na China e em várias partes do mundo. Com o passar dos séculos, esta prática evoluiu de um ritual espiritual e comemorativo para uma atividade cultural e desportiva. Os barcos (de diferentes tamanhos entre 12 e 22 tripulantes) tradicionalmente decorados com cabeças e caudas de dragão, simbolizam força, prosperidade e proteção. As disputas passaram a ser organizadas como competições durante festivais, promovendo o espírito de equipa, a disciplina e a celebração comunitária.
Nos últimos 50 anos, esta modalidade transformou-se num desporto internacional – graças à forte dinâmica da Federação Internacional de Dragon Boat (IDBF), que está também a apoiar esta estreia em Portugal, como explica o seu Presidente Claudio Schermi: “Estamos muito entusiasmados com este festival e com tudo o que representa e acreditamos que este será apenas o começo de uma história de sucesso”. O evento é organizado pela Associação Dragon Boat Portugal e conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, refletindo a aposta do município no desenvolvimento dos desportos náuticos.
No que toca à competição, que será o culminar deste festival, são esperadas equipas internacionais de cinco países – incluindo uma delegação de Macau – onde a prática da modalidade goza de enorme prestígio e tradição.
Paralelamente à vertente desportiva, o Lisboa Dragon Boat Festival reflete uma importante dimensão solidária e inclusiva. Um dos exemplos mais marcantes é o movimento de equipas formadas por sobreviventes de cancro da mama, bem patente na chancela da International Breast Cancer Paddlers Commission. Estas equipas utilizam a prática do dragon boat como forma de reabilitação física e emocional, promovendo a superação, o apoio mútuo e a consciencialização para a doença. Este movimento espalhou-se globalmente e tornou-se um símbolo poderoso de resiliência e inclusão. Na mesma linha, a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) é o parceiro nacional solidário do festival, lançando um convite para uma sessão de batismos inclusivos que juntam doentes, familiares e amigos, todos a remar na mesma direção.
A dimensão cultural do evento fica completa com uma mostra de gastronomia das várias regiões da China, onde os melhores restaurantes da cidade vão poder mostrar a sua oferta numa zona reservada de food trucks.