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Sem entrar em pânico

Sem entrar em pânico
• Foto: Pedro Ferreira

Um Sporting de peito feito aproveitou as facilidades que o Marítimo concedeu na primeira parte e teve o encontro resolvido ao intervalo. Mas a equipa de Marco Silva adormeceu e Maazou, com dois golos, obrigou-a a voltar ao jogo na segunda parte.

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Ainda o lobo mau não tinha soprado e já a casa do Marítimo se desfazia. Sem nenhum remate e graças a um desvio tosco de Patrick Bauer, o Sporting colocou-se em vantagem logo aos 8’, embalando para uma primeira parte confiante, na linha do que tem vindo a fazer nas últimas semanas, em que defrontou de olhos nos olhos adversários de maior valia e em condições bem mais difíceis. Ao intervalo, o 3-0 espelhava o ritmo descontraído do jogo, com vantagem clara para a equipa que tem melhores jogadores. Mas a história estava longe de acabar aqui.

Marco Silva tinha anunciado que iria jogar com os melhores, e assim o fez. Desta vez, o adversário não era um candidato ao título nem uma equipa de Liga dos Campeões, mas é um dos mais difíceis que se pode encontrar em Portugal. E o Marítimo, 5.º classificado à entrada para esta jornada, até tem um histórico recente de complicar a vida ao Sporting. Leonel Pontes não fez a coisa por menos: esticou a equipa ao máximo, tentando impedir a saída do adversário na zona defensiva e, ao mesmo tempo, recuperar a bola o mais perto possível de Rui Patrício. Conseguiu-o, mas isso teve um preço caro: acabou por abrir uma enorme cratera entre o seu meio-campo e a defesa, permitindo que João Mário, Adrien, Carrillo e, sobretudo, Nani fizessem estragos.

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Ao intervalo, a história do jogo parecia contada. Porque o Marítimo, apesar de ter conseguido roubar algumas vezes a bola no último terço, apenas por uma vez esteve perto de marcar, num lance em que Alex Soares permitiu o corte de Maurício mesmo sobre o gongue. Do outro lado, havia golos e mais um par de lances perigosos, quase sempre com Nani metido ao barulho, fosse com assistências ou com remates que fizeram os adeptos saltar das cadeiras. O internacional português é um futebolista à parte, tanto no Sporting como no campeonato nacional.

Maazou despertador

Tantas facilidades devia ter feito os leões desconfiarem. Mas não fizeram. O Marítimo organizou-se após o intervalo, encurtando o tal buraco negro entre o meio-campo e a defesa e, ao mesmo tempo, aproveitou o adormecimento de um Sporting que se sentiu com a vitória na mão. Rúben Ferreira cruza da esquerda e Maazou, ao segundo poste e sem ninguém a incomodá-lo, atira de cabeça para o 3-1. Quatro minutos depois, o nigerino arranca pela direita, ganha a Jonathan Silva e fuzila Rui Patrício. Um golaço. Em apenas quatro minutos, o jogo ressuscitava.E ainda havia mais meia hora de futebol.

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Outro treinador talvez tivesse entrado em pânico. Talvez tivesse esbracejado efusivamente com os jogadores, talvez tivesse colocado um médio para evitar mais estragos, talvez tivesse colocado mais um avançado para tentar impor respeito ao adversário. Marco Silva não o fez, dando mais uma prova de confiança aos jogadores que estavam em campo. A resposta que teve foi a que queria: apesar de estar a apenas um golo do empate, o Marítimo não mais esteve perto de bater Rui Patrício. E foi de novo o Sporting a pegar na bola e a criar oportunidades para resolver a questão de uma vez por todas. Adrien e Carrillo ameaçaram num lance em que Montero fez de defesa central do Marítimo, mas o colombiano pagou esse erro e com juros, apontando o quarto golo do Sporting com uma finalização que nos lembrou a todos, a começar talvez pelo próprio Montero, que a qualidade técnica está lá e não se perdeu.

Com o 4-2 a meio da segunda parte e a vitória, agora sim, praticamente garantida, Marco Silva fez então a primeira substituição – clássica –, lançando Diego Capel para o lugar de Carrillo. Tudo como o previsto, apesar de o caminho nem sempre ter sido o mais simples.

NOTA TÉCNICA (notas de 0 a 5)

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Marco Silva (3). Construiu uma equipa confiante, dinâmica, e consegue explorar o melhor de cada jogador. Não é culpado pelo adormecimento após o intervalo, mas também não ficou em pânico e a entrada de Capel foi importante.

Leonel Pontes (3). Quis jogar de igual para igual e o Marítimo acabou por abrir demasiados espaços. Apertou as linhas após o intervalo, roubando espaço ao adversário, e chegou a assustar. Talvez se tenha precipitado ao lançar Dyego Sousa tão cedo.

O HOMEM DO JOGO

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Montero. Durante muito tempo, andou perdido e alheado dos acontecimentos. Mas quando o Marítimo estava a assustar, apareceu para o golo que tranquilizou o Sporting. E que golo! Brilhante a receção no peito e o remate de pé esquerdo.

ÁRBITRO

Manuel Oliveira (4). Apitou pela primeira vez um jogo dos grandes e aproveitou a tranquilidade dos jogadores para fazer uma atuação discreta e segura. Apenas um erro importante: fora-de-jogo mal tirado a Maazou aos 13’.

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