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COM 154 golos em 142 jogos, Mário Jardel ocupa a 16ª posição entre os 32 melhores marcadores de sempre do futebolportuguês, apresentando média fabulosa: 1,08, apenas superada pelo mítico Fernando Peyroteo.
Sendo extraordinários os números do brasileiro, Jardel pode ainda esta temporada ganhar quatro lugares na lista, pois os registos de José Augusto, Artur Jorge, Teixeira e Julinho e a voracidade do avançado pemitem fazer uma projecção nesse sentido quase sem qualquer tipo de risco.
Numa breve análise à tabela dos 32 melhores, registe-se que Eusébio e Peyroteo, dois goleadores sensacionais que marcam a história do futebol português, independentemente da elevada qualidade individual, surgem enquadrados em marcantes fenómenos colectivos: o primeiro como principal figura do hegemónico Benfica dos anos 60 e parte de 70, o segundo enquanto ilustre representante do domínio leonino nos anos 40. Essa linha avançada dos leões, que perdeu Peyroteo a partir de 48/49, vale 737 golos e só José Travaços não traduziu em golos a indiscutível capacidade técnica. O Benfica de Eusébio assegura quase mil golos (985), somando aos tentos da “Pantera Negra” os que José Águas, Torres e José Augusto apontaram.
Realce óbvio também para Fernando Gomes, outro destaque individual integrado numa equipa, o FC Porto, que exerceu preponderância no panorama futebolístico luso na década de 80. O bibota-de-ouro, que construiu magnífica carreira esmagadoramente com a camisola do FC Porto, onde obteve a maior parte dos seus golos, ainda foi a tempo de garantir duas épocas positivas no Sporting. Depois de um processo controverso que o conduziu à saída do clube portista, Gomes soube contrariar as vozes que o davam como acabado e, em duas temporadas, honrou a condição de histórico goleador.
GALERIA LEONINA
Manuel Fernandes
(485 jogos/243 golos)
Um dos dez melhores marcadores portugueses do século XX, é o goleador mais importante do historial leonino depois de Fernando Peyroteo. Agressivo, cultivou a imagem de marcador generoso e com actuações abrangentes: perigosíssimo no interior da área, percorria território mais vasto e, quando recuava, também causava problemas.
Martins
(207 jogos/134 golos)
O seu nome tem projecção além-fronteiras, pois foi o autor do primeiro golo na Taça dos Campeões Europeus, num Sporting-Partizan (3-3) realizado no Estádio Nacional a 4 de Setembro de 1955. Mas o goleador de Sines, falecido a 18 de Novembro de 1993, é recordado com mágoa pelos belenenses, a quem tirou o título de 54/55.
Figueiredo
(196 jogos/114 golos)
Procurava os espaços para se libertar das marcações como poucos, tendo participado na gloriosa campanha leonina relativa à conquista da Taça das Taças, na época de 63/64. Embora em igualdade de golos, perdeu para Eusébio o troféu de melhor marcador da temporada de 65/66.
Jordão
(357 jogos/215 golos)
Foi no Benfica que primeiro mostrou talento, velocidade e capacidade técnica acima da normalidade, condições que refinou com o tempo e a experiência. Felino de movimentações e desconcertante para os marcadores, estendeu a marca do seu futebol à selecção nacional, com inesquecível contributo para o brilhante no Euro-84.
Lourenço
(207 jogos/132 golos)
Oportunista, João Lourenço ganhou protagonismo quando, num “derby” com o Benfica, no Estádio da Luz, a 17 de Outubro de 1965, apontou os quatro tentos da vitória (4-2). Nascido em Alcobaça a 8 de Abril de 1942, foi pela Académica que se estreou no campeonato, derrotando o Belenenses (2-1) a 29 de Outubro de 1961.
António Oliveira
(288 jogos/107 golos)
O actual seleccionador nacional foi um dos melhores jogadores portugueses de sempre. Misto de talento, inteligência e virtuosismo técnico, imaginava lances geniais para os companheiros através de passes inesperados, mas também a finalizar era notável. Produto da escola portista, ainda dedicou quatro épocas aos leões.
Yazalde (104 jogos e golos)
A marca de 46 golos no campeonato de 73/74 permanece como máximo entre os melhores marcadores dos campeonatos nacionais, além de lhe ter garantido a Bota de Ouro europeia. Hector Casemiro Yazalde, o popular “Chirola”, trocou o futebol argentino e o Independiente pelo Sporting no princípio dos anos 70, chegando a Lisboa a 11 de Fevereiro de 1971 com 24 anos. Internacional pela Argentina, Yazalde ainda jogou no Marselha antes de voltar ao seu país, onde faleceu em Junho de 1998.