_
Os futebolistas menos utilizados pela seleção portuguesa têm de dar um passo em frente na visita aos Estados Unidos, na terça-feira, em novo encontro particular de preparação para o Mundial2026, admite o antigo guarda-redes internacional Beto Pimparel.
"Eu vivi três fases finais de Campeonatos do Mundo e, muitas vezes, é preciso fazer gestão. Os jogos têm três, quatro ou cinco dias de diferença, os adversários são diferentes e é necessário utilizar praticamente todo o plantel. Os atletas têm de dar esse passo em frente para demonstrar que são opções para o selecionador", observou à agência Lusa o ex-guarda-redes, de 43 anos e com 16 internacionalizações, de 2009 a 2018.
Portugal e Estados Unidos defrontam-se na terça-feira, às 19:07 locais (00:07 do dia seguinte em Lisboa), no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, onde os lusos vão realizar a 700.ª partida da sua história, três dias depois do empate no México (0-0), assinalado pela reabertura do Estádio Azteca.
"A avaliação é sempre feita de forma coletiva, mas estes testes são muito individuais e acredito que [o técnico] Roberto Martínez tenha analisado num contexto quase de Campeonato do Mundo a capacidade dos jogadores que não têm tantos minutos na seleção. Alguns deles provavelmente não vão estar na fase final, porque não há espaço para toda a gente e Portugal tem um leque de 40/45 futebolistas capazes e com qualidade", notou Beto, convocado para as edições de 2010, 2014, na qual atuou duas vezes, e 2018.
O ex-internacional aceita que os lusos, detentores do troféu da Liga das Nações, se tenham ressentido no último embate da ausência de algumas figuras - incluindo o avançado e capitão Cristiano Ronaldo -, do pouco entrosamento entre atletas regressados à seleção, dos efeitos de alinhar a 2.240 metros de altitude na Cidade do México e do contexto do adversário.
"As condições não eram fáceis e existiram várias nuances a influenciar a exibição, que não foi a melhor. Depois, ainda há muito por se decidir nos campeonatos nacionais e nas provas europeias [de clubes], viagens e cansaço. Independentemente de os jogadores estarem a 100%, acredito que haja uma pequena parte psicológica que determina que, se calhar, eles não vão com tudo a abordar alguns lances. É inconsciente", enquadrou.
À espera que Portugal "faça sempre algo de diferente e se superiorize aos adversários", em função da cotação internacional e das opções ao dispor, Beto prevê "grande rotatividade" para o duelo nos Estados Unidos, que se vai disputar num estádio com teto fechado, a exemplo do que acontecerá nas duas primeiras partidas dos lusos em Houston na fase final do torneio.
"A altitude influencia mais [o desempenho dos atletas]. Importa adaptarem-se ao ambiente no estádio e ao público, que puxará pela seleção da casa. Em teoria, os Estados Unidos não estão ao nível de Portugal, mas podem colocar-se em termos físicos e de motivação. Muitas vezes, esses detalhes fazem a diferença num Mundial perante margens de erro pequenas", advertiu.
Vencedor da Liga das Nações em 2019, o antigo guarda-redes foi titular em dois empates dos lusos frente aos norte-americanos, na segunda jornada do Grupo G do Mundial2014 (2-2), no Brasil, e num encontro particular de preparação para a edição de 2018 (1-1), em novembro de 2017, em Leiria.
"Temos de nos agarrar muito ao que aconteceu no Euro'2016. Com todas as circunstâncias e imponderáveis naquela final, Portugal mostrou frente à França um desejo enorme de ser campeão da Europa. Obviamente, existe técnica, tática, talento, qualidade e mentalidade, mas uma equipa desejar [a vitória] com todas as forças e em coletivo pode fazer com que Portugal dê um passo em frente e atinja a melhor classificação de sempre", reiterou.
Os particulares com México e Estados Unidos marcam o derradeiro estágio antes da divulgação dos convocados para a 23.ª edição do Campeonato do Mundo, que se realiza de 11 de junho a 19 de julho e contará pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
Qualificado pela nona vez, e sétima seguida, para a fase final da principal prova internacional de seleções, Portugal está integrado no Grupo K e vai defrontar a Colômbia, o Uzbequistão e o vencedor do primeiro caminho do play-off intercontinental, cuja final se realiza na terça-feira entre Jamaica e República Democrática do Congo, tendo como melhor resultado o terceiro lugar em 1966.
"Portugal tem dos melhores jogadores e seria uma contradição e um crime não assumir que tem condições para ser campeão do mundo. Agora, há diversas circunstâncias e seleções a querer o mesmo e a igualar-nos no talento. Se Portugal se destacar no desejo, na vontade e na crença, acredito que pode chegar mesmo muito longe e fazer história", afiançou.