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A Seleção Nacional vai defrontar Israel na próxima sexta-feira num enquadramento inédito: três dos habituais titulares não estarão disponíveis – João Pereira e Fábio Coentrão, os homens dos flancos, e Bruno Alves, um dos pilares da zona central. Assim, resta Pepe. É caso para dizer que lhe caberá levar às costas todo o quarteto à frente de Rui Patrício.
É um jogo que Portugal está obrigado a vencer e por isso a falta de rotinas que o sector poderá apresentar (a equipa cumprirá apenas 4 treinos até sexta-feira), terá de ser compensada com uma forte voz de comando. E de novo Pepe aparece como o homem para quem todos vão olhar.
Aos 30 anos, com 54 jogos e 3 golos pela Seleção Nacional, Pepe é um jogador que dá garantias a qualquer treinador, não só pelas suas qualidades técnicas, mas também pela capacidade de assumir um papel de comando. Desde a sua estreia na Seleção Nacional, a 21 de novembro de 2007, no Estádio do Dragão, frente à Finlândia, que Pepe tem correspondido ao que os sucessivos selecionadores lhe pedem.
Foi trinco, na estreia, com Scolari, como foi, depois, com Carlos Queiroz no Mundial de 2010. Mas é como defesa-central que se assume plenamente. Ao longo dos anos trabalhou com Ricardo Carvalho e mais recentemente com Bruno Alves, com quem estabeleceu rotinas assinaláveis. Agora, repetirá uma experiência única, ao lado de Luís Neto, que aconteceu no particular frente à Holanda disputado a 14 de agosto.
Três mudanças
Mas mais do que o simples reajuste dos centrais, Paulo Bento está obrigado a alinhar dois laterais inéditos. Sem João Pereira (lesionado) e Fábio Coentrão (castigo para o jogo com Israel), deverá optar por Cédric (ou André Almeida), na direita, e Antunes, na esquerda.
É a primeira vez que Paulo Bento está obrigado a mudar três homens na defesa. A pior situação aconteceu no apuramento para o Euro’2012, na visita à Dinamarca, com Rolando no centro e Eliseu na esquerda. Portugal perdeu esse jogo por 2-1 e foi obrigado a disputar o playoff com a Bósnia-Herzegovina.
Daí para cá o quarteto habitual fez todos os cinco jogos da fase final do Europeu e só foi desfeito em dois jogos desta fase de apuramento para o Mundial de 2014. A primeira vez diante da Irlanda do Norte (1-1), no Dragão, quando deslocou João Pereira para a esquerda devido a uma lesão de Fábio Coentrão, alinhando Miguel Lopes na direita. A segunda, frente à Rússia, no Estádio da Luz, quando Pepe cumpriu castigo e foi rendido por Luís Neto.
No lote dos capitães
Pepe não terá problemas em assumir um papel de liderança na defesa diante de Israel. Afinal, ele é um dos cinco capitães da Seleção Nacional, depois de Cristiano Ronaldo e Bruno Alves, a par de João Moutinho e Raul Meireles. Também no Real Madrid (onde ainda há dois anos era acossado pelos mais críticos) faz parte do lote de capitães da equipa. Diz quem o conhece bem que o facto de ter sido pai há um ano fez dele um homem mais calmo.