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Mundial'1966: A obra-prima dos Magriços

• Foto: Vítor Chi

Em novembro último, quando entraram em Goodison Park, em visita integrada numa reportagem de Record que comemorou o meio século da epopeia do Mundial de 1966, José Augusto, António Simões, Hilário da Conceição e Vicente Lucas não conseguiram esconder a emoção. O novelo de algumas das mais belas memórias de cada um foi desfiado aos poucos: lá estava a baliza onde Eusébio começou a reviravolta frente à Coreia do Norte, a mesma onde o pequeno Simões marcou de cabeça ao gigante Manga, então guarda-redes brasileiro; lá estava a outra, onde o mesmo Eusébio assinou um golo sensacional ao Brasil e José Augusto selou a vitória sobre os coreanos com um golpe de cabeça à boca da baliza, que havia de repetir vezes sem conta 50 anos depois, para surpresa de quem o viu aos saltos sem aparente sentido; e lá estava todo um relvado onde Vicente meteu rei Pelé no bolso sem lhe tocar e Hilário confirmou o talento e o momento de forma que haviam de coroá-lo melhor defesa-esquerdo do Mundial.

Só vitórias

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Cabina de Goodison Park

António Simões foi o primeiro a entrar na atual cabina dos visitantes de Goodison Park. Havia alguma curiosidade para perceber até que ponto o santuário onde a equipa portuguesa preparou a grande batalha estava reconhecível. O antigo extremo-esquerdo chegou e deu a sentença ao cabo de poucos segundos: "Este foi o balneário onde nos equipámos. Falta só uma grande banheira que estava aqui no meio." Os responsáveis do Everton, que vinham atrás, não escutaram as palavras mas repetiram a diferença fundamental. O espaço serviu para recordar um dos momentos mais eloquentes do momento que havia de tornar-se eterno: a palestra de Otto Glória ao intervalo.

A eloquência de Otto

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Minutos volvidos, criado o clima de altíssima tensão entre os jogadores, Otto virou costas, abotoou a camisa e pegou no casaco. Com a convicção de quem sentia que o jogo estava ganho, limitou-se a fazer voz grossa e a soltar a derradeira sentença da tarde: "Agora vão lá para dentro e ganhem a merda de jogo." Prova de que estavam em sintonia, Portugal acabaria por transformar o 2-3 ao intervalo no 5-3 final. E assim foi. Faz hoje 50 anos.

Por Rui Dias
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