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A opção de Fernando Santos pelo 4x4x2 losango lançou de novo a discussão em torno da crise de pontas de lança no futebol português. À partida, o novo selecionador português escolheu apenas Éder para a primeira convocatória, deixando de fora Hélder Postiga e Hugo Almeida, e no primeiro onze que constituiu para defrontar a França apresentou na frente os extremos Nani e Cristiano Ronaldo, apoiados por Danny.
Face às dificuldades na escolha de um avançado que jogue regularmente no seu clube, Fernando Santos valorizou a presença de Éder nos convocados como uma opção de recurso, sem estatuto de titular.
Numa pesquisa feita por Record a partir de 1994, quando António Oliveira assumiu o comando da Seleção Nacional e o apuramento para as fases finais começou a ser regular, pode observar-se que foram convocados 14 pontas de lança, que no total marcaram 149 golos (num total de 464 somados em 234 jogos disputados por Portugal). Depois de um período de indefinição estratégica - no qual Sá Pinto chegou a assumir um papel que não era o seu -, Nuno Gomes, primeiro, no Euro'2000, e Pauleta, posteriormente, assumiram-se como as referências do ataque português, tendo o último batido o recorde de golos na Seleção, pertença de Eusébio durante muitos anos.
Depois do período dominado pelas presenças de Pauleta e Nuno Gomes seguiu-se o de Hélder Postiga e Hugo Almeida, menos produtivo, mas durante o qual se registou a ascensão fulminante de Cristiano Ronaldo, que só à sua conta leva 50 golos - não sendo ponta de lança - e pulverizou o recorde de Pauleta.
Chegados a este período de rutura, de mudança de sistema, em que o único ponta de lança convocado leva 13 internacionalizações, sem qualquer golo marcado, a tendência é insistir na capacidade goleadora de Cristiano Ronaldo. À crise responde-se com uma solução conhecida.
PONTA-DE-LANÇAS UTILIZADOS (+ CRISTIANO RONALDO)
*) Domingos (1) e Cadete (4) marcaram um total de cinco golos fora do período considerado