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Mais do que treinar a capacidade de controlar um jogo e, naturalmente, evoluir em termos de combinações entre equipa, o selecionador Paulo Bento deverá, acima de tudo, trabalhar mais a finalização, um dos aspetos que mais tem castigado a turma nacional neste apuramento para o Mundial'2014.
Contas feitas, Portugal é a segunda seleção que mais rematou até ao momento neste apuramento, totalizando 137 disparos (enquadrados com a baliza ou não...), tendo apenas feito 17 golos com esse número de remates. Assim, em média, Portugal precisa de oito tiros para conseguir chegar ao destino mais desejado: o golo. Uma média francamente baixa, para uma equipa que quer e entra sempre em campo para vencer.
Analisando os dados gerais do apuramento, a seleção que mais remates fez até ao momento foi a Alemanha, com um total de 142. A grande diferença entre a Seleção e a Mannschaft passa pela eficácia: os alemães têm 31 golos marcados!
A nível individual, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga têm quase metade dos remates feitos pela Seleção Nacional neste apuramento: 64, com ligeira vantagem para o jogador do Real Madrid, que conta com 33 por sua conta, enquanto Postiga soma 31. Assim, mais do que a ineficácia coletiva, é também de registar a falta de acertos das individualidades de quem esperamos os golos. Postiga precisa de 6,2 remates para chegar ao golo, enquanto CR7 necessita de 8,25 disparos para festejar.
Sem antídoto para eficácia contrária
Um outro dado que merece reflexão passa pela passividade defensiva da nossa seleção, mesmo permitindo poucas oportunidades por partida. Tudo porque os adversários portugueses precisam de poucos remates para conseguirem o golo. Por exemplo, Israel alcançou quatro golos a Portugal em duas partidas, com apenas oito remates feitos - cinco deles enquadrados com a baliza.
É certo que no total Portugal apenas permitiu 34 remates nos nove jogos de apuramento já disputados, mas sofre um golo a cada 3,7 disparos, o que naturalmente mostra que, para marcar a Portugal, não são necessárias grandes investidas. Se limitarmos as contas aos remates à baliza, aí a questão fica ainda mais complicada, pois a Seleção sofre um golo a cada dois remates contrários.
Melhorar a eficácia é o primeiro passo, mas trabalhar a coesão defensiva é outro dos caminhos para conseguir chegar ao Brasil...
A PONTARIA (OU FALTA DELA...)