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Roberto Martínez mostra-se orgulhoso pelo trabalho alcançado nos primeiros três anos como selecionador de Portugal e assume o desejo que ficar na história do futebol nacional ao vencer primeiro Campeonato do Mundo para o país.
Em entrevista à agência Lusa, Martínez apontou a conquista da Liga das Nações, em que venceu na 'final four' primeiro Alemanha, em território germânico, e depois a Espanha, atual campeã europeia, como o "momento chave" do seu percurso, assumindo que sentiu o "barulho" que existia na altura na comunicação social sobre a possibilidade de poder ser afastado do cargo após o torneio.
"É um balanço positivo e estou muito satisfeito. Acho que os recordes e os resultados são a consequência do trabalho dos jogadores e da equipa que temos na seleção. Como selecionador, fico muito satisfeito pelo compromisso que tenho encontrado e o sentimento de orgulho que é jogar pela seleção", afirmou o treinador de 52 anos.
"E, agora, temos pela frente o nosso maior desafio", acrescentou Martínez, referindo-se ao Mundial'2026.
Depois de protagonizar a primeira fase de qualificação 100% vitoriosa de sempre de Portugal, com 10 triunfos em 10 jogos no caminho para o Euro'2024, a equipa de Martínez ficou pelos quartos de final do torneio, depois de cair nos penáltis frente à França, eliminação que aconteceu por uma questão de detalhes.
"Fiquei satisfeito com os aspetos competitivos que mostrámos nesse Europeu e, nestes torneios, que o que decide são os detalhes. O jogo contra a França deixou-me muito satisfeito porque ficou claro o que era preciso trabalhar para ganhar no futuro um torneio. E isso aconteceu com a Liga das Nações", explicou.
Mesmo assim, Martínez admitiu que ficou algo espantado com as críticas que recebeu na altura.
"Há muita paixão pela nossa seleção. A minha crítica é sempre mais forte do que a crítica que vem de fora. É certo que fiquei surpreendido depois de ganhar todos os jogos no apuramento para o Europeu, mas isso faz parte da minha posição e consigo entender isso. Agora sinto, quando falo com os jornalistas, que há uma perceção diferente do meu trabalho em Portugal e fora de Portugal", lamentou.
No ano seguinte, em 2025, Martínez levou mesmo a equipa das quinas ao terceiro título da sua história, com a conquista da Liga das Nações, numa altura em que a comunicação social avançava que o espanhol poderia ser afastado como selecionador nacional devido às mudanças ocorridas na liderança da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com a saída de Fernando Gomes e a entrada de Pedro Proença.
"Senti o barulho de fora. É normal, mas senti um foco especial da equipa. Um foco total. Ganhar a Liga das Nações na Alemanha, no formato mais exigente do futebol internacional foi um momento chave para nós. A perceção das outras seleções em jogar contra Portugal mudou", referiu Martínez.
O técnico espanhol confessou que "adora" ser selecionador português e mostrou-se pouco preocupado com o seu futuro, já que acaba contrato com a FPF após o próximo Campeonato do Mundo.
"Essa não é a minha posição agora. O meu foco é o Mundial. Estou muito satisfeito com o trabalho que estamos a fazer e com o apoio da federação. Todos estamos juntos para o próximo desafio. O objetivo é o Mundial'2026 e depois falaremos do futuro. Adoro Portugal e adoro trabalhar com a seleção", frisou.
Para Martínez, o objetivo é mesmo deixar o seu nome nas páginas da história do futebol português.
"O meu trabalho, o meu foco é fazer história para que se falem dessas conquistas nos próximos 15, 20 anos", concluiu.
Roberto Martínez completou na sexta-feira, dia 9, três anos como selecionador português, período em que conquistou a Liga das Nações, levou Portugal aos quartos de final do Euro2024 e alcançou vários recordes, como 12 triunfos seguidos em jogos oficiais e a primeira qualificação completamente vitoriosa (10 em 10) no caminho para o Europeu da Alemanha.
O técnico espanhol regista ainda 96 golos em 36 jogos, o que dá uma média de 2.66 por partida e a melhor percentagem de vitórias de um selecionador luso (69,4%)
O Mundial2026 vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México.
Por Lusa