_

Abel Xavier: «Vou até ao fim pois quero a verdade»

INJUSTIÇADO, Abel Xavier apresentou-se segunda-feira no Tribunal Arbitral do Desporto, na cidade suíça de Lausana, onde interpôs recurso do castigo de nove meses com que foi punido na sequência dos incidentes no fim do França-Portugal, das meias-finais do Euro-2000 pela UEFA.

No término da audiência, na qual o árbitro austríaco Gunther Benko entrou em contradição com alguns dos seus anteriores depoimentos quando interrogado pelo advogado belga Jean-Louis Dupont (o mesmo do acórdão Bosman, que representa o jogador português neste caso), disse a Record estar na expectativa quanto à decisão do tribunal.

PUB

”Fizemos o melhor para tentarmos defender o nosso ponto de vista”, começou por referir Abel Xavier, que deverá conhecer o resultado do recurso dentro de duas semanas.

”Estou preparado para tudo. Não tenho nada a perder. O que tinha a perder já perdi, mas é óbvio que não posso ficar sereno perante esta injustiça”, disse o defesa do Everton, para quem, em todo o processo que conduziu ao seu castigo, ”as coisas não foram claras”.

”Pela primeira vez, pude apresentar testemunhas, embora apenas duas das cinco que indiquei, e o árbitro entrou em contradição. Essa situação foi positiva, mas o melhor foi ter podido defender-me”, assinalou.

PUB

Abel Xavier reconheceu, porém, que ainda está a ser julgado por uma instância ”ligada ao poder do futebol”. Mas, mesmo assim, mostra-se determinado em levar tudo ”o mais para a frente possível”, pois sente-se ”usado” com o castigo e disposto a ”limpar” o seu bom nome.

”Sinto-me injustiçado. Em todo este processo, volto a dizê-lo, há muitas coisas estranhas e por isso vou em busca da verdade. Gostaria de estar num tribunal totalmente imparcial, onde pudesse levar todas as testemunhas. A única coisa que têm contra mim é o depoimento de uma pessoa que deu o dito pelo não dito”, concluiu Abel Xavier antes de questionar: ”Que credibilidade pode ter um árbitro que mente perante a justiça?”

«Totalmente só»

PUB

Apesar de se encontrar a travar uma luta desigual, mas que considera justa, Abel Xavier sente-se ”totalmente só” e referiu que o único apoio que teve ”foi de um grupo de emigrantes portugueses de Lausana, pessoas que nunca tinha visto na vida”, mas que fizeram questão de se manifestar em frente ao Tribunal, situado nas instalações do Comité Olímpico Internacional, no Museu Olímpico daquela cidade suíça.

”O que mais me dói é que num momento como este ninguém me tenha telefonado com uma palavra de apoio”, referiu o internacional português.

”Estou triste e desiludido, porque sempre representei com orgulho o meu país – e é preciso não esquecer que fui castigado por estar a defender a selecção nacional – e agora, enquanto procuro a verdade, nem uma chamada recebo”, salientou, antes de acrescentar: ”Eu sei que as pessoas têm a memória curta mas este é um facto que registo só para mim.”

PUB

Abel Xavier não deixou de lembrar que quase todos os seus colegas mudaram de clube no final do Euro-2000: ”No fim de contas, eu fui o grande lesado. Tinha propostas de clubes grandes e acabei por não sair por causa deste castigo injusto.”

”Mas o recurso deu-me grande motivação para continuar”, voltou a referir, garantindo que, caso não lhe seja dada razão, vai continuar até uma instância onde se possa ”defender convenientemente”.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Internacional Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB