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Bétis e Sevilha com saudades de viver entre os ricos

Sevilha – A capital da Andaluzia, uma das regiões mais características de Espanha, famosa pelos touros e pelo “flamenco”, a célebre Sevilha localizada à beira do Guadalquivir, está de luto desde Junho, no que ao futebol diz respeito. Nessa altura, ao terminar o campeonato espanhol, os seus dois grandes clubes, Bétis e Sevilha, foram despromovidos. E é mesmo a primeira vez nos últimos 30 anos que os dois rivais estão juntos na II Divisão.

Sevilha é considerada por muitos como a cidade mais "futbolera" de Espanha, rivalizando mesmo com Madrid e Barcelona, e os dados históricos confirmam essa opinião: tem dois clubes que já venceram o campeonato (o Bétis, em 1934/35, e o Sevilha, em 1945/46), algo que só Madrid também conseguiu; possui dois estádios notáveis que receberam jogos do Mundial 82 e foram quase sempre o local de realização dos jogos da selecção espanhola, na década de 80, estando entre os maiores do país; a nível de sócios, Bétis e Sevilha só são ultrapassados pelos gigantes Real Madrid e Barcelona. Dizem as estatísticas que, mesmo em tempo de "vacas magras", cerca de dez por cento da população da cidade (700 mil habitantes) mantêm o cartão de acesso ao estádio, pelo que juntos, Bétis e Sevilha somam cerca de 60 mil sócios.

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No entanto, os números citados e toda a representatividade histórica dos clubes não asseguram a grandeza a ninguém. E, assim, Bétis e Sevilha, rivais europeus do Benfica e do Sporting, ainda há poucos anos, acabaram por cair juntos na II Divisão, tal como o Atlético Madrid. Por isso, já se diz que a edição desta temporada do escalão secundário espanhol é a mais importante de sempre, quase se assumindo como uma outra I Divisão.

A DURA REALIDADE

O passado deve, agora, servir para reflectir e alterar comportamentos, algo que o Sevilha parece estar a cumprir bem, sendo mesmo o primeiro classificado na II Divisão espanhola. A contratação de um técnico jovem e ambicioso, Joaquin Caparrós, e a colocação de um antigo guarda-redes do clube, Mochi, no cargo de secretário técnico, foram decisões acertadas. E as contratações foram realizadas com enorme atenção em relação às verbas envolvidas. Por isso, os reforços não foram sonantes, mas prometem muito trabalho: o norueguês Olsen (ex-Stabaek), David (Maiorca), Loren, César e Taira (Salamanca), Michel (Rayo Vallecano), Diego Ribera (Espanhol), Puli (Celta Vigo), Pablo (Mérida), Tevenet (Las Palmas, mas formado em Sevilha), Casquero (Atlético Madrid B) e Notario (Granada).

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Por seu lado, o Bétis parece ter vivido duas pré-temporadas, com o presidente Lopera, sempre polémico, a anunciar, logo após a despromoção, que "os responsáveis pela descida são quem vai tirar o Bétis da II Divisão". Mas a verdade, afinal, é que Alfonso, Denilson, Finidi, Crosa, Karhan, Alexis e Vidakovic já abandonaram o clube. Para formar o plantel de 2000/01, Lopera apostou em Faruk Hadzibegic, antigo jogador do Bétis e também ex-seleccionador da Bósnia-Herzegovina, mas com o comando o técnico a ser entregue a Fernando Vázquez.

No entanto, o treinador galego entrou em conflito com Lopera, devido à chegada tardia de reforços, já com o campeonato a decorrer. Assim foram os casos de Pavon (ex-Bordéus), Amato (Grémio), Casas (Huracán) e Fabão (Flamengo), que se juntaram a César (Mérida), Belenguer (Extremadura), Torres Mestre (Alavés) e Castaño (Numancia). Mas o futuro, após um ano de constantes duelos verbais entre o plantel e o presidente, é uma incógnita. E, para já, o 12.º lugar na classificação não é animador...

"BILHETE DE IDENTIDADE" - BÉTIS

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Nome: Real Bétis Balompié, SAD.

Fundação: 1907 (com o nome de Sevilha Balompié, optando pela fusão, em 1914, com o Real Bétis FC, criado em 1909).

Equipamento: camisola verde e branca (riscas verticais) e calção branco.

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Morada: Avenida Heliópolis, 41 012 Sevilha.

Estádio: Manuel Ruíz de Lopera (antigo Benito Villamarin), com 52 mil lugares.

Número de sócios: 43 mil.

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Presidente: Manuel Ruíz de Lopera.

Presenças na I Divisão: 37 (em 70 edições).

Títulos: campeão em 1934/35 e vencedor da Taça em 1976/77 (2-2, ante o Athletic Bilbao, e 8-7 em "penalties"). Foi ainda finalista derrotado na Taça em 1930/31 (1-3, com o Athletic Bilbao) e em 1996/97 (2-3, com o Barcelona). O seu avançado Rincón foi o melhor marcador em 1982/83 (20 golos).

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Posição no "ranking" histórico da I Divisão espanhola: 10.º classificado.

"BILHETE DE IDENTIDADE" - SEVILHA

Nome: Sevilha FC, SAD.

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Fundação: 1905.

Equipamento: camisola e calção brancos, com "vivos" vermelhos.

Morada: Avenida Eduardo Dato, 41 005 Sevilha.

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Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán (46 mil lugares).

Número de sócios: 28 mil.

Presidente: Roberto Alés García.

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Presenças na I Divisão: 57 (em 70 edições).

Títulos: campeão em 1945/46; vencedor da Taça de Espanha por três vezes, em 1934/35 (3-0, ao Sabadell), 1938/39 (6-2, ao Racing Ferrol) e 1947/48 (4-1, ao Celta Vigo). Foi finalista vencido em 1954/55 (0-1, com o Athletic Bilbao) e 1961/62 (1-2, com o Real Madrid). O avançado Arza foi o melhor marcador do campeonato de 1954/55.

Posição no "ranking" histórico da I Divisão espanhola: 8.º classificado.

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