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Copa América: Bons vizinhos ajudam Paraguai a organizar a prova

CÉSAR DE OLIVEIRA, enviado especial

Asunción -- Está assim concluída a primeira Copa América disputada em solo paraguaio. Restam apenas Colômbia (2001) e Venezuela (2005) para que todos os países filiados na Conmebol tenham organizado a mais antiga prova continental. Mas o Paraguai 99 só foi possível graças à ajuda das nações vizinhas, sobretudo Argentina e Brasil.

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Apesar dos inúmeros problemas estruturais e logísticos do país, a realização da competição em solo paraguaio foi garantida pelo sentimentalismo do presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz. O dirigente não queria aposentar-se sem assistir à concretização do evento na terra Natal.

Mas, para que tal fosse possível, Brasil, Argentina, Uruguai e Chile tiveram de dar as mãos e correr em auxílio do "pobre" vizinho, oferecendo recursos financeiros, humanos e tecnológicos. "Sem a cooperação dos países amigos, não poderíamos realizar uma competição deste porte", afirmou o ministro do Interior, Walter Bower.

Se tivesse sido feita uma análise criteriosa das condições das cidades sedes, muito havia a obstar e a impedir o avanço do projecto. Ciudad del Este, por exemplo, que recebeu o Grupo B (recebeu é falso, pois Brasil, Chile, México e Venezuela ficaram hospedados no lado brasileiro e argentino), não dispõe de capacidade hoteleira para uma empreitada destas, oferecendo apenas três mil vagas contra vinte mil de Foz do Iguaçu, ali ao lado, para além de uma abismal diferença de qualidade.

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E de nada valeram as reclamações dos comerciantes paraguaios, que viram as previsões de receitas baixarem com a fuga das selecções, e, consequentemente, de turistas, numa cidade responsável por um terço do PIB paraguaio. O Estádio Antonio O. Sarubbi só foi parcialmente construído graças a um investimento de 500 mil contos da Traffic, empresa brasileira de “marketing” desportivo, também organizadora do torneio. O relvado, por exemplo, é fruto da tecnologia brasileira: a empresa carioca Greenleaf forneceu-o.

A iluminação foi outro problema. Apesar das garantias dos responsáveis pelo estádio, os reflectores falharam em todos os testes e o colapso esteve para acontecer, quando a luz faltou em plena cerimónia de abertura, antes do jogo inaugural entre Brasil e Venezuela. Criou-se o pânico, só contido pela rápida intervenção da Traffic, que colocou em acção um gerador móvel, preventivamente instalado nos arredores do recinto. Homem prevenido...

SEGURANÇA, "DOPING"...

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O auxílio brasileiro também foi feito por meios financeiros. O Banco do Brasil, com o aval da Conmebol, concedeu um empréstimo de 50 mil contos para a reforma do estádio do Sportivo Luqueño, em Luque, sede do Grupo C. A ajuda estrangeira continuou com o empréstimo de um circuito interno de televisão da Argentina, para reforçar a vigilância. A Polícia Federal argentina pediu a ajuda a 46 agentes britânicos, especializados em acções contra "hooligans", para vigiar os terríveis "barrabravas", o grupo de adeptos mais violentos do país.

Uma equipa de especialistas em "doping" chegou do Chile e do Uruguai. Seis membros da Universidade do Chile e um professor uruguaio assentaram arraiais em Asunción e instruíram os paraguaios nas novas tecnologias de rastreio. Cada análise "antidoping" custou 36 contos, pagos pela Conmebol. A equipa de peritos é a mesma que actuou no Bolívia 97.

A preocupação com a segurança motivou a doação de aparelhos policiais, feita pela Coreia do Sul. A embaixada em Asunción anunciou a oferta de 50 telefones, 98 coletes antibala, 20 megafones, 100 cacetetes, 150 capacetes, balas de borracha, uma câmara de televisão e mil bombas de gás lacrimogénio.

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PÚBLICO NÃO ADERIU

Apesar de todos os esforços dos vizinhos, nem tudo correu bem. A sede de Pedro Juan Caballero, no Nordeste do país, foi a que mais sofreu com as deficiências de programação. O público paraguaio não aderiu e duas partidas, uma delas referente à disputa do 3º lugar, tiveram de ser realizadas em Asunción, para evitar maior descalabro económico. A rábula dos bilhetes, vendidos a preços exorbitantes pelos cambistas, não ajudou à aderência maciça dos paraguaios, desencantados com a prematura eliminação da selecção da casa.

Vem aí o Colômbia 2001. O Japão queria organizar a prova, mas aquele país não abriu mão da prova, que finalmente chega ao seu território. Em termos de estruturas, não se levantam tantos problemas, mas há uma questão que preocupa desde já os participantes: a segurança. A guerra com os cartéis de droga e as facções rebeldes representam uma séria ameaça para as delegações, Imprensa e turistas. Mas isso é só daqui a dois anos...

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