Das fake news sobre a morte de Atsu aos serviços a peso de ouro: jornalista 'desmonta' estratégia de Fabrizio Romano

Fabrizio Romano conta com mais de 100 milhões de seguidores nas redes sociais
• Foto: Getty Images

Fabrizio Romano é, sem margem para dúvidas, uma das figuras mais influentes - e, provavelmente, até a mais influente - do futebol no que às redes sociais diz respeito. O italiano, de 33 anos, soma um total de mais de 100 milhões de seguidores e continua a ser a principal fonte dos adeptos ao redor do mundo no que diz respeito, principalmente, ao mercado de transferências. No entanto, há poucos dias, Romano lançou um vídeo controverso onde 'publicitava', durante mais de 2 minutos, o regime da Arábia Saudita, algo que gerou muita polémica e que levou a que alguns jornalistas 'desmontassem' a sua estratégia.

E foi precisamente o que fez Nick Harris, jornalista da 'Sporting Intelligence' que escreveu um longo artigo acerca das estratégias utilizadas há anos por Fabrizio Romano e que têm feito dele um influencer de renome. Harris, aliás, começa por sublinhar que aquilo que o italiano faz não pode ser considerado jornalismo. E explica o porquê.

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"Um rapaz nos seus 30 e poucos anos que, ao fim de mais de uma década, se tornou numa pessoa autoritária no mundo das transferências futebolísticas. É tão popular que, nos dias de hoje, pode cobrar até enormes quantias para falar sobre regimes que abusam dos direitos humanos. Parabéns para ele. Talvez seja este o mundo em que vivemos. Podem reparar que este vídeo controverso sobre a Arábia Saudita veio com a hashtag #ad, que significa que foi pago para publicitar o conteúdo em questão - neste caso, propaganda pró-saudita. Romano já declarou em várias ocasiões que aquilo que faz se baseia em publicidade, seja ela para casas de apostas - como já fez umas 10 vezes este ano -, para empresas de criptomoedas, ou para a Pepsi e a FIFA. Na maioria das vezes, nem sequer refere que está a promover algo, e é aí que entra um dos grandes problemas de tudo isto. Jornalista? É mais um charlatão", refere Harris.

A trágica morte de Christian Atsu, antigo jogador do FC Porto que, em 2023, foi encontrado sem vida na sequência de um forte sismo que abalou a Turquia, também é tema neste artigo. "Um antigo colega de Romano explicou-me que a coisa mais 'nojenta' que fez terá acontecido imediatamente após os sismos na Turquia, que vitimaram 60 mil pessoas. Na sua página de Facebook, Romano disse aos seus seguidores, a 7 de fevereiro, que Atsu estava vivo e no hospital após ser encontrado com uma lesão no pé e dificuldades respiratórias. Na verdade, Atsu estava morto e o seu corpo viria a ser encontrado no dia 18 desse mês. Qualquer jornalista com o mínimo de credibilidade teria referido que Atsu estava vivo de acordo com X fonte. Mas Romano referiu que, factualmente, Atsu estava vivo. E a sua família chegou a ganhar uma nova esperança. Na realidade, os rumores que Romano espalhou eram m... vazias que circularam nas redes sociais".

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A fechar, Nick Harris dá o exemplo das publicações realizadas por Fabrizio Romano onde este 'promove' jogadores ou clubes e, para dar força a esse argumento, usa o caso de Mehran Amundsen-Ansari, que era diretor de marketing do Valerenga, clube da Noruega, em 2022.

"Amundsen-Ansari confirmou que recebeu uma proposta em 2022. Disse que foi contactado por uma companhia que oferecia variados serviços, como espalhar rumores acerca de jogadores para gerar 'burburinho' acerca dos mesmo e dos próprios clubes". Ora, de acordo com essa empresa, uma publicação nas redes sociais de Fabrizio Romano estaria 'tabelada' num valor a rondar os mil euros. E vale a pena recordar que este episódio aconteceu... há quatro anos.

Nick Harris garante, no final do artigo, que tentou contactar Fabrizio Romano para obter uma reação acerca dos factos acima mencionados, mas não conseguiu resposta. "Como leitores, podem estar a questionar: 'Por que razão estás a fazer isto?'. Aquilo que posso dizer é que Romano não é um jornalista. E a história dele com a Arábia Saudita esta semana irritou-me imenso", remata.

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Por André Santos
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