A cada dia que passa, Gianni Infantino tem cada vez menos apoios para a reeleição em 2027. Esta quinta-feira, foi a vez da Federação Irlandesa de Futebol revogar formalmente o apoio ao presidente da FIFA. No comunicado emitido pelo organismo é referido que os "eventos recentes levantaram preocupações significativas em relação à governação [da FIFA], transparência e falta de consultas substanciais".
Com esta renúncia, aumenta para 18 o número de países europeus que já retiraram formalmente o apoio a Infantino. São eles Albânia, Arménia, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Inglaterra, Finlândia, Geórgia, Alemanha, Grécia, Holanda, Noruega, Roménia, Sérvia, Suécia, País de Gales e Irlanda.
No centro da rutura no futebol internacional esteve o plano de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária concebida para gerir os direitos comerciais de competições como o Campeonato do Mundo com o recurso a capital privado.
O projeto previa a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (3,64 mil milhões de euros) através da alienação de uma quota minoritária de até 20% a investidores privados.
Entre os potenciais interessados figurava o fundo Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, Jared Kushner.
A iniciativa gerou forte contestação institucional e culminou numa carta aberta subscrita pelas confederações da Europa (UEFA), Ásia (AFC) e América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF).
As três entidades denunciaram uma "importante quebra de confiança" e acusaram o presidente da FIFA de ter abandonado o seu dever ao atuar com "engano" e colocar-se "acima do coletivo que lhe confiou autoridade".
Em contraste com a contestação das três confederações continentais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa pública do líder do organismo, considerando na rede Truth Social que a FIFA cometeria "um erro terrível" se substituísse Infantino, enaltecendo a rentabilidade do Mundial2026, que gerou receitas de quase 15 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros).
Apesar de manter o apoio declarado de confederações como a CONMEBOL e a CAF, e de países como a Bolívia, Equador, Venezuela, Argentina e Marrocos, Gianni Infantino vê a sua posição fragilizada no caminho para as eleições agendadas para 18 de março de 2027.
O sufrágio será decidido por maioria simples entre as 210 federações-membro com direito a voto, terminando a 18 de novembro o prazo para a apresentação de candidaturas ao cargo.