Messi revolucionou critérios da Bola de Ouro

Messi revolucionou critérios da Bola de Ouro
• Foto: REUTERS

Messi, Iniesta e Cristiano Ronaldo ficaram esta quinta-feira a ser conhecidos comos os três candidatos finalistas à Bola de Ouro 2012. Se já eram esperadas as nomeações do argentino e do português, o espanhol surgiu na lista final como o "outsider" que faltava ser anunciado. Algo que não deixa de ser curioso, tendo em conta que o médio foi o que conquistou o título mais importante dos três, ao conduzir a Espanha ao bicampeonato europeu.

Contudo, os títulos conquistados e o fator decisivo que se teve neles parece estar a deixar de ter peso ao longo dos anos na eleição para o melhor do Mundo. Nem os próprios organismos que regulam o concurso, a revista "France Football" e a FIFA, que em 2010 decidiram unir os galardões de Melhor Jogador do Mundo e Bola de Ouro, parecem saber bem os critérios de um concurso "sem regras".

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"Não há regras. Todos os que votam são conhecedores de futebol e por isso não há surpresas", afirmou François Morinière, diretor executivo do jornal "L'Équipe" e da "France Football", que esteve presente esta tarde em São Paulo na gala onde foi feito o anúncio dos três finalistas.

Dúvidas

A atual Bola de Ouro premeia o melhor jogador do ano ou o que teve mais êxitos? Se premeia ambos, qual é o critério que tem mais peso? Perguntas difíceis de responder…

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"Creio que o fator decisivo é uma mistura de ambas. Grandes rendimentos individuais juntamente com a contribuição para o sucesso da equipa", tentou explicar Morinière.

"Os prémios são dados consoante o rendimento e o comportamento dentro e fora das quatro linhas", disse um porta-voz da FIFA à agência DPA.

Duas explicações pouco concretas e que permitiram que nos últimos anos a grande rivalidade entre Messi e Ronaldo tenha sido transportada para a decisão da Bola de Ouro.

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Desde 2008 a exceção foi somente 2010, onde o português não fez parte do trio de finalistas. Nesse ano Messi ganhou a sua segunda Bola de Ouro da carreira, depois de uma época onde espalhou magia e marcou inúmeros golos mas vencendo "apenas" a Liga espanhola.

O craque argentino superou Xavi e Iniesta que ganharam também o título espanhol, mas que levaram a Espanha a vencer o Mundial da África do Sul. E mais contestada ainda foi a ausência do holandês Sneijder deste lote, isto depois de ir à final do Mundial e de vencer a Champions pelo Inter.

Messi vai a caminho da quarta Bola de Ouro – tudo indica que seja ele a vencer o troféu – aproveitando não só o facto de ser para muitos o melhor jogador da atualidade, mas também a fragilidade de um sistema de votos onde o capitão da seleção inglesa ou o selecionador português, por exemplo, têm tanto peso, como qualquer jornalista ou como o capitão do Djibuti.

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Se na Europa e América do Sul, onde o futebol é rei, Ronaldo ainda consegue ombrear com Messi, a influência do argentino nos países de "Terceiro Mundo" é claramente superior à de qualquer outro futebolista à face da terra e isso não deixa de ter grande influência.

Cannavaro como exemplo

Certamente muitos adeptos do futebol achariam um escândalo se Messi e Ronaldo não fizessem parte da lista de finalistas, mas basta recuar 6 anos para encontrar um exemplo de uma eleição onde o fator decisivo foram os títulos conquistados.

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Fabio Cannavaro conquistou a Bola de Ouro da "France Football" em 2006 e também foi eleito o Melhor Jogador do Mundo para a FIFA no mesmo ano e tudo graças ao rendimento durante o Mundial da Alemanha. O central italiano comandou a "squadra azzurra" rumo ao título mundial e no final do ano foi premiado por isso. Tudo isto numa altura em que para a maioria Ronaldinho Gaúcho era o melhor futebolista do planeta.

Também em 2002 Ronaldo Nazário havia sido premiado com os dois galardões fruto dos tentos apontados no Mundial da Coreia do Sul e Japão que conduziram o Brasil ao penta.

Critérios à parte, certo é que a qualidade de dois "extraterrestres" como Messi e Ronaldo tornou praticamente "impossível" a existência de uma linha de continuidade em relação ao passado, revolucionando toda a lógica da Bola de Ouro. No entanto, tem sido o argentino a tirar mais proveito de todo este processo.

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