Tiago Moutinho está prestes a estrear-se na Liga dos Campeões Asiática com o Al Hussein, da Jordânia, e quis o destino que o embate inaugural na competição fosse frente a uma equipa liderada por outro português, mais precisamente o Al Ahli, emblema dos Emirados Árabes Unidos onde está Paulo Sousa.
O duelo está agendado para esta quarta-feira e será o primeiro em que os dois técnicos se defrontam na condição de treinadores principais. Para trás, ficaram dois embates em que Tiago Moutinho era ainda adjunto e que sorriram sempre ao mais experiente dos dois. Agora, o objetivo do ex-treinador da Académica é inverter a história.
"Vai ser uma experiência única até porque é a primeira vez que vamos disputar a Liga dos Campeões, é a primeira vez que muitos dos jogadores vão ter oportunidade de disputar esta competição. Portanto, a ambição e a ansiedade existem à medida que nos aproximamos. Vamos jogar contra o Al Ahli do Paulo Sousa, um clube que tem outro orçamento, que tem jogadores de muita qualidade, que está inserido num país onde é possível ter mais estrangeiros. Uma equipa que é uma das grandes favoritas a vencer esta competição. Nós vamos com muito profissionalismo, com muita ambição, com muita motivação. Vamos entrar nesta competição com o objetivo de passar à fase seguinte. Eu, curiosamente, já defrontei o Paulo Sousa quando era adjunto no Sporting e no Belenenses. Perdi sempre. Vamos ver se será desta vez como treinador principal que consigo mudar a história", disse, a Record, o técnico de 44 anos, em tom bem-disposto.
Com o duelo a aproximar-se a passos largos, os dois treinadores estão focados em afinarem as respetivas equipas. Por essa razão, ainda não houve possibilidade de trocarem umas palavras, mas tal acontecerá naturalmente na quarta-feira. "Não falei ainda com o Paulo, terei seguramente a oportunidade de falar com ele antes e depois do jogo. Espero no final do jogo estar mais feliz do que ele", completou Tiago Moutinho.
Ao cabo de dois meses ao leme do Al Hussein, período no qual concluiu cinco jogos com quatro vitórias e um empate, o técnico faz um balanço positivo ao trabalho desenvolvido. Tudo somado, Tiago Moutinho sente que tomou a decisão certa ao aceitar o convite do emblema da Jordânia. Vencer já o primeiro jogo na Liga dos Campeões Asiática, uma das razões que impulsionou a mudança para o Médio Oriente, era ouro sobre azul. "A decisão de vir para cá foi uma decisão difícil, porque é um país que desconhecia, um futebol que desconhecia, um país que está inserido numa região cujo contexto é conhecido, graças à guerra entre Israel e a Palestina. Mas vim por um projeto muito interessante, treinar o campeão nacional da Jordânia e uma equipa que vai disputar a Liga dos Campeões Asiática. É uma grande montra e uma competição à qual é quase impossível dizer que não", apontou.