_

UEFA, CONCACAF e AFC atiram a Infantino: «Isto não é sobre dinheiro. A liderança no futebol não é uma posse»

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA
• Foto: AP

A UEFA, CONCACAF e AFC (da Ásia) divulgaram esta segunda-feira uma carta na qual tecem novas acusações a Gianni Infantino, presidente da FIFA, apontando o dedo ao facto do dirigente ter quebrado a confiança daqueles organismos "pelo engano": "não é a conduta de um guardião do jogo, mas a de alguém que acredita que o jogo lhe deve prestar contas", pode ler-se no documento disponibilizado esta manhã.

"Há silêncio onde devia haver responsabilidade, distanciamento onde deveria haver transparência. Não são estas as qualidades que o futebol merece na sua liderança. (…) A força do futebol foi sempre a sua união"

PUB

"A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 Associações-Membro reconhece que foram cometidos erros no processo. Trata o sucedido como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento. Uma proposta apresentada sob um calendário comprimido, sem consultas significativas e impulsionada para um prazo limite antes que as Associações-membro pudessem rever devidamente os seus termos, não é o produto de uma omissão — é o produto de um plano concebido para limitar a fiscalização. A carta não reconheceu que a proposta em si era inerentemente errada. Continua sem haver o reconhecimento de que tentar vender uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA foi uma profunda falha de julgamento — não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições que a FIFA existe para servir".

Leia a carta na íntegra:

"Querida Família do Futebol,

PUB

O futebol é a maior paixão partilhada do mundo. Não pertence a nenhum indivíduo e a nenhuma instituição. Pertence aos jogadores, aos adeptos, aos clubes, às Associações-Membro e a todas as instituições encarregadas de salvaguardar o seu futuro. É com esse espírito, como confederações que representam os seus membros, que falamos coletivamente hoje.

O crescimento ao longo da última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de um único indivíduo. Foi o produto da FIFA, das Confederações, das Associações-Membro e das milhares de pessoas que dedicam as suas vidas ao jogo. A expansão dos torneios, a atribuição dos Campeonatos do Mundo da FIFA de 2030 e 2034, a distribuição de recursos pelas associações. Conquistas partilhadas, acordadas e concretizadas em conjunto.

PUB

Isto não é sobre dinheiro. As confederações já apelaram à distribuição responsável das vastas reservas existentes da FIFA para reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das Associações-membro. Tão-pouco se trata de qualquer Associação-membro perder o apoio que conquistou, apesar do alarmismo direcionado aos nossos membros a sugerir o contrário. Nem se trata de reexaminar a expansão de competições, a alocação de vagas para o Campeonato do Mundo ou quaisquer outras decisões alcançadas coletivamente. Essas decisões foram tomadas em conjunto e devem ser mantidas.

Trata-se de algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que foram eleitos para o liderar. A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — o poder. É um dever de serviço à família do futebol que a confia. Quando a confiança é quebrada pelo engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou a autoridade, esse dever é abandonado.

PUB

A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 Associações-Membro reconhece que foram cometidos erros no processo. Trata o sucedido como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento. Uma proposta apresentada sob um calendário comprimido, sem consultas significativas e impulsionada para um prazo limite antes que as Associações-membro pudessem rever devidamente os seus termos, não é o produto de uma omissão — é o produto de um plano concebido para limitar a fiscalização.

A carta não reconheceu que a proposta em si era inerentemente errada. Continua sem haver o reconhecimento de que tentar vender uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA foi uma profunda falha de julgamento — não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições que a FIFA existe para servir.

A FIFA comprometeu-se também a apresentar um relatório completo sobre estes acontecimentos ao Conselho da FIFA, falhando mais uma vez em reconhecer que uma governação adequada, perante uma tão profunda falta de julgamento, exigiria que tal revisão fosse realizada por uma entidade terceira totalmente independente, e não pela própria FIFA, pela sua equipa ou por qualquer interveniente do futebol. A administração da FIFA não deve ter qualquer papel na condução da revisão.

PUB

Conforme a correspondência anterior, todos os documentos e registos relevantes devem ser preservados de acordo com a comunicação da UEFA sobre a preservação de documentos.

A própria carta da FIFA também confirma que apenas um dirigente eleito esteve presente na reunião de liderança em Marrocos. Nenhum membro do Conselho da FIFA ou das Associações-membro foi convidado a participar. Apenas o comite de gestão, composto por quadros superiores contratados pela FIFA, esteve presente.

Esta reunião recente, na qual um número restrito de membros do Comité de Gestão da FIFA — e não o Comité completo — foi convocado para o estrangeiro, em vez de a liderança se dirigir a Zurique para se articular com o coração da FIFA e a sua equipa, apenas reforça estas preocupações e representa a continuação do próprio padrão de conduta que nos trouxe a este momento. Não é a conduta de um guardião do jogo, mas a de alguém que acredita que o jogo lhe deve prestar contas.

Há silêncio onde deveria haver responsabilidade, distância onde deveria haver abertura. Estas não são as qualidades que o futebol merece na sua liderança. É por isso que tomámos esta posição: não de ânimo leve e não sozinhos, mas juntos, e por dever ao jogo que servimos.

A força do futebol sempre foi a sua união. Apelamos a que essa união seja honrada agora, por uma liderança que sirva o futebol e não que procure comandá-lo.

PUB

Atenciosamente,

SALMAN BIN IBRAHIM AL KHALIFA (Presidente da AFC)

VICTOR MONTAGLIANI (Presidente da Concacaf)

PUB

ALEKSANDER CEFERIN (Presidente da UEFA)

DATUK SERI WINDSOR JOHN (Secretário-Geral da AFC)

PHILIPPE MOGGIO (Secretário-Geral da Concacaf)

PUB

THEODORE THEODORIDIS (Secretário-Geral da UEFA)"

Por Record
1
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Internacional Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB