_
Antes de defrontar Portugal – o duelo ibérico será na terça-feira, em Braga –, a Espanha defronta este sábado a Suíça num outro embate crucial na definição do Grupo 2 da Liga A. E, aos 20 anos, Nico Williams pode ser uma das figuras da partida, pois o jovem avançado do Athletic Bilbao prepara-se para a estreia pela principal seleção espanhola. Mas, para já, é protagonista de outra forma: o craque de origem africana assume-se como símbolo na luta contra o racismo, num período particularmente marcante em Espanha, depois do que aconteceu no recente dérbi madrileno, no qual Vinícius foi vítima de insultos dos adeptos colchoneros.
"Isso começa desde pequeno. Ninguém nasce racista. Com educação em casa e na escola penso que, aos poucos, o racismo vai desaparecer", salientou Nico em entrevista à ‘Marca’ que ontem surgiu nas bancas a preto e branco e com o mais novo dos irmãos Williams em grande destaque na primeira página.
Nascido em Pamplona mas filho de pais ganeses, o jovem jogador foi internacional espanhol em sub-18 e sub-21 tem agora uma oportunidade às ordens de Luis Enrique e frisou que nunca sentiu na pele o racismo no futebol espanhol. "Os racistas são grupos muito pequenos que é preciso erradicar. Em geral, as pessoas são muito boas e ajudam muito os que vêm de fora. Estamos muito agradecidos por termos sido ajudados", adiantou, não esquecendo as dificuldades que os pais sentiram quando atravessaram o deserto a caminho de Espanha: "Passaram momentos muito duros."
O irmão Iñaki
Ainda assim, Nico lembrou que o seu irmão Iñaki foi um pouco "incomodado nesse aspeto". Iñaki, igualmente jogador do Athletic, pode, curiosamente, estrear-se amanhã pela seleção do Gana, depois de já ter sido internacional pela Espanha. "Às vezes desentendemo-nos, mas estou muito grato por tê-lo como irmão e por ele me dar os conselhos que nem toda a gente tem a sorte de ouvir", concluiu Nico, esperançado em garantir um lugar no Mundial’2022, onde o irmão também deverá estar presente ao serviço do Gana, rival de Portugal.