Um mergulho de Fred dentro da área, depois de sentir a mão de Lovren no ombro, deu ao árbitro japonês Yuichi Nishimura o pretexto para assinalar um penálti que simplificou muito a missão do Brasil no jogo de abertura do Mundial, face à Croácia. Com 20 minutos por jogar, o encontro estava empatado a um golo e não se viam maneiras de o ataque brasileiro ultrapassar uma muito bem organizada defesa croata. Com o penálti, transformado por Neymar no 2-1, o Brasil viu escancararem-se as portas de uma vitória que muitos dos adeptos que lotaram o Arena São Paulo já não esperavam ver chegar.
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O jogo acabou por ser uma festa para Neymar, que partiu na frente nas lutas para melhor jogador e melhor marcador da competição. Depois de um início apático dos brasileiros, surpreendidos numa de várias investidas rápidas da Croácia com o lance que gerou o autogolo de Marcelo, logo aos 11’, Luiz Felipe Scolari mostrou a verdadeira razão para a colocação de Neymar no apoio direto ao ponta-de-lança. Dali, ao meio, o craque pode baixar para pegar no jogo, para o transportar e para lhe imprimir velocidade logo no início da construção.
Neymar marcou o golo do empate num remate colocadíssimo, aos 29’, mas já antes tinha estado na origem da melhor ocasião brasileira, fugindo pela linha de fundo, de forma a proporcionar a Óscar um remate em arco que Pletikosa desviou com dificuldade. Depois, na segunda parte, apesar da quebra de rendimento – motivada por acertos posicionais dos croatas –, Neymar ainda colocou a equipa na frente, no tal penálti mal assinalado.
O empate ao intervalo aceitava-se. A Croácia tinha começado melhor, apesar de ter tido sorte na obtenção do seu golo. A verdade é que Olic já tinha estado perto de inaugurar o marcador (aos 7’) e, imediatamente antes do golo do empate, Jelavic viu Júlio César roubar-lhe o 0-2. Nessa altura, porém, já era o Brasil que mandava no relvado: Paulinho (aos 18’) e Óscar (aos 22’) já tinham estado perto de empatar.
Só que, conseguido o 1-1, o Brasil abrandou. E a segunda parte foi transformada num enorme bocejo até ao momento em que Nishimura a desbloqueou. Aí, os croatas abriram e até podiam ter voltado a empatar, sobretudo num remate de fora de Perisic que Júlio César deteve (90’+1). Tal como na primeira parte, porém, a Croácia perdoou e o Brasil marcou na sequência, numa finalização de bico de Óscar. E fim de papo!
ÁRBITRO
Yuichi Nishimura teve influência no resultado, ao assinalar um penálti inexistente sobre Fred. Ainda assim aceitáveis foram as decisões de não expulsar Neymar, por cotovelada, ou de deixar seguir a jogada que culminou no 3-1, quando se pedia falta de Ramires. NOTA 2.
MOMENTO
Podia ser o mergulho de Fred, mas o melhor lance de futebol foi mesmo a arrancada de Neymar pela linha de fundo, fugindo a Rakitic e obrigando Pletikosa a uma defesa de recurso, que depois Óscar quase aproveitava para empatar o jogo. Aos 22’, o Brasil entrava no jogo.
NÚMEROS
33. São os golos de Neymar na seleção brasileira. O bis de ontem permitiu-lhe entrar no Top 10 dos goleadores do escrete. Algo de notável para um jogador que ainda só tem 22 anos