“Eu juro que chutei com a força de três milhões de uruguaios”, disse Luis Suárez a propósito do segundo golo que marcou e que deu à seleção do seu país a vitória sobre a Inglaterra. É essa força – e a nossa é de dez milhões – que a equipa das quinas precisa demonstrar em campo hoje frente aos Estados Unidos.
Um jogo de tudo ou nada encerra múltiplas condicionantes e perigos que se traduzem numa pressão acrescida e na proibição total de cometer erros. Não é uma situação nova para a Seleção, e por tradição até nos saímos bem em conjunturas complexas, mas não será por causa disso que nos podemos fiar num desfecho feliz.
Portugal e Estados Unidos vão jogar num autêntico forno, mas essa dificuldade extra é igual para ambos e ninguém pode dizer que está melhor preparado para ela. Quem lá jogou queixou-se, mas não houve quem tivesse apontado esse fator como decisivo para o resultado final.
Importante mesmo é recuperar a identidade e, como já foi dito, exibir o espírito de uma Seleção que faz do comprometimento coletivo uma das bases que sustentam tudo o resto. Partir desse alicerce é fundamental. Se cada um quiser tocar o seu instrumento sem se preocupar em saber se vai no ritmo certo ou se está afinado com o resto da orquestra, então Portugal estará condenado ao fracasso e a um regresso prematuro a casa.
É claro que todos continuam a esperar de Cristiano Ronaldo o clique mágico que permita desbloquear os problemas. Tanto se tem falado no gelo que CR7 põe no joelho que, hoje, é o momento indicado para pôr gelo no forno de Manaus e arrancar a vitória que é necessária para manter a ilusão do apuramento.
Os norte-americanos têm uma equipa bem organizada, orientada pelo futebol de Bradley e eficaz graças à objetividade de Dempsey. Do ponto de vista físico são muito fortes e sabem aproveitar os lances de bola parada (sobretudo cantos). Mas têm fragilidades defensivas que a velocidade e o talento de Ronaldo e Nani poderão explorar. Aliás, as transições rápidas de Portugal podem criar desequilíbrios decisivos no jogo. Fundamental é não ficar em desvantagem. Pode ser um golpe psicológico difícil de gerir e os norte-americanos não farão cerimónias e, bem ou mal, fechar-se-ão a sete chaves.
MUITO PROVÁVEL
» Entrada forte de Portugal na tentativa de marcar cedo para serenar
» Cristiano Ronaldo e Nani explorarem com intensidade e contundência os corredores laterais
» Jogo tenso, de muito contacto, a reclamar um árbitro inteligente na sua condução
POUCO PROVÁVEL
» Seleção portuguesa voltar a cometer os erros infantis do jogo com a Alemanha
» Não deixar de haver efeitos resultantes de um clima muito abafado e extremamente húmido
» Estados Unidos assumirem iniciativa do jogo, preferindo entregá-la a Portugal