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Os Campeonatos do Mundo são sempre imprevisíveis e trazem várias histórias com personagens variados, desde as seleções com maior destaque até as mais inexpressivas. Na fase de grupos do Mundial no Qatar, Mehdi Taremi, avançado iraniano que joga no FC Porto, chamou a atenção devido à sua influência no ataque, não só por causa dos golos, mas também pelos passes e pela sua movimentação.
Faro de goleador
No jogo de abertura, na derrota por 6-2 frente à Inglaterra, o treinador Carlos Queiroz colocou Taremi como referência ofensiva do Irão, num 4-5-1. O resultado final não deixou dúvidas quanto à supremacia dos ingleses, ainda assim o avançado iraniano mostrou que é um goleador nato e só precisou de rematar três vezes para marcar os dois golos da sua equipa.
Visão de ‘10’
No segundo jogo, frente ao País de Gales, Carlos Queiroz promoveu uma mudança tática, passando do 4-5-1 usado previamente contra a Inglaterra, para um 4-4-1-1 ao apostar em mais um avançado de referência, Sardar Azmoun. Com isto, Taremi posicionou-se um pouco mais atrás para, em teoria, ter maior liberdade no momento de pensar e armar o jogo.
Esta mudança de posicionamento foi claramente bem sucedida, comprovada pela grande influência do camisola 9 na vitória por 2-0 fazendo uns incríveis (e máximo num só jogo neste Mundial) oito passes-chave - isto é, um passe que precede um remate -, incluindo uma assistência para o golo de Ramin Rezaeian, ao cair do pano. Vale a pena realçar também que o marcador indicava 0-0 até aos 86 minutos, momento em que Taremi sofreu uma dura entrada do guarda-redes Wayne Hennessey, que acabou por ser expulso. Os dois golos acabaram por surgir apenas no tempo de compensação.
No confronto decisivo, perante os Estados Unidos, Queiroz repetiu a formação, preservando Taremi no papel de 10. No entanto, desta vez, a estratégia não teve o efeito desejado, graças ao desempenho eficiente da equipa treinada por Gregg Berhalter, que, com a necessidade de vencer para se qualificar, entrou a todos o gás na primeira parte e empurrou o Irão para a sua zona defensiva, tendo mesmo conseguido chegar ao golo nesta parte. Isso fez com que Taremi se tivesse que mostrar num registo mais defensivo e a prova disso são as 12 ações defensivas protagonizadas pelo jogador do Porto na primeira parte, mais que nos outros dois jogos juntos.
Na segunda parte, com o Irão a necessitar de chegar ao golo para conseguir voltar ao segundo lugar, a equipa entrou mais ofensiva e Taremi beneficiou disso. Não registou passes-chave desta vez, mas teve a sua maior taxa de passes na competição - 28 certos em 35 tentativas. Podia ter sido o herói do seu país aos 98 minutos, quando desperdiçou uma grande oportunidade naquela que foi a sua única tentativa contra a baliza adversária.
Avançado completo
Seja como avançado referência, seja atrás do ponta de lança, a verdade é que Taremi nunca se escondeu do jogo, sendo o atleta mais procurado pelos seus compatriotas neste Mundial, com 100 tentativas de passes na sua direção. Foi também o iraniano que mais quilómetros percorreu no conjunto dos três jogos.
De realçar ainda que após o final da fase de grupos, Taremi integrava o Top 10 de jogadores com mais chances criadas, e também o de mais contribuições para golo (golos+assistências) da equipa. Neste último ranking foi, a par do equatoriano Enner Valencia, aquele com maior percentagem de contribuições da sua equipa (75%), sendo o 3º jogador menos cotado no que toca a valor de mercado.
Como finalizador ou como organizador, os números demonstram o bom nível apresentado pelo iraniano neste Mundial, estando a par de grandes nomes do futebol Internacional. A eliminação na fase de grupos não apaga o brilhantismo do avançado, que mostrou virtudes em diferentes papéis, e fez com que o Irão lutasse pela qualificação até ao final.
Este trabalho foi realizado por um grupo de alunos do Master em Big Data aplicado ao futebol, do Sports Data Campus, no âmbito de uma parceira com o Record.
Autores: Cadu Arraes, João Canhão, João Gomes, Tiago Alves e Tiago Santos.