_
A Federação dinamarquesa de futebol (DBU) anunciou esta quarta-feira que vai lançar algumas iniciativas em defesa da luta contínua pela melhoria dos direitos humanos no Qatar.
Em comunicado, a Dinamarca revela que vai participar no Mundial, competição para a qual se qualificou com um registo impressionante, mas a presença será somente desportiva, pelo que não irá participar em qualquer atividade comercial. Para além disso, os patrocinadores da seleção orientada por Kasper Hjulmand aceitaram ceder o seu espaço nas camisolas de treino para mensagens humanitárias. Assim sendo, os parceiros comerciais da seleção masculina da Dinamarca não vão participar nas atividas oficiais no Qatar e os dois patrocinadores das camisolas, Danske Spil e Arbejdernes Landsbank, abrem mão do seu espaço no equipamento da equipa nórdica a favor de mensagens acerca de direitos humanos.
A DBU vai ainda reduzir ao máximo o número de viagens ao Qatar para funcionários e parceiros, de forma a participação no Campeonato do Mundo seja voltada apenas para a participação desportiva e não para promover eventos da organização da competição.
A juntar a isto, a Federação daquele país dá ainda conte de que vai continuar a colaborar com a Anistia Internacional e considerará a possibilidade de implementar novas iniciativas para melhorar as condições no Qatar com vista ao Mundial do próximo ano e fará o acompanhamento do último relatório da referida organização, para que as reformas sejam totalmente implementadas e aplicadas no Qatar, mesmo depois de terminar a competição.
Uma ideia vincada por Jakob Jenses, diretor da DBU. "A seleção masculina fez uma excelente qualificação e, em tempo recorde, para o Mundial. Há muito tempo que a DBU critica fortemente o Mundial no Qatar, mas agora estamos a intensificar ainda mais os nossos esforços e diálogo crítico para aproveitarmos o facto de estarmos qualificados para lutar por mais mudanças no país. Além disso, há muito tempo que chamamos a atenção para os desafios que a FIFA e o Qatar enfrentam e vamos continuar a fazer isso", garantiu.
Consulte as medidas que serão postas em práticas durante o Mundial'2022:
- Os parceiros comerciais da seleção masculina não vão participar e realizar atividades comerciais no Qatar - a menos que as iniciativas sejam ativistas e integrem o diálogo crítico;
- Os parceiros comerciais da seleção masculina vão 'abrir mão' do seu espaço nas roupas de treino da seleção em favor de mensagens de direitos humanos;
- A DBU vai minimizar significativamente as próprias viagens para o Qatar e só participará em atividades no Qatar relacionadas a desportos ou quando puder contribuir politicamente para melhorar as condições dos trabalhadores migrantes;
- A DBU está em diálogo com adeptos e ONG's sobre a presença de adeptos dinamarqueses no Qatar, para que estes sejam informados sobre a situação no país e saibam como reagir quando a venda de ingressos começar;
- A DBU vai continuar o diálogo crítico com a FIFA e os organizadores no Qatar e continuar a trabalhar em todos os contextos para melhorar e respeitar os direitos dos trabalhadores migrantes;
- A DBU conduzirá continuamente a devida diligência na escolha do hotel e outros serviços no Qatar para garantir que os direitos dos trabalhadores são respeitados.
Por Record