Jetro Willems pode ter na sua carreira alguns feitos de realce, como o facto de já ter sido 22 vezes internacional pela Holanda, ou ter ganho a Eredivisie por duas ocasiões e ainda ter sido campeão europeu de Sub-17, mas a verdade é que a vida nem sempre foi fácil para o atual jogador do Eintracht Frankfurt.
Apesar de agora, aos 26 anos, estar já com uma vida relativamente confortável e consolidada no futebol profissional, o defesa esquerdo passou por muitas dificuldades em criança, com especial destaque para um episódio no qual se viu mesmo forçado a traficar droga. A revelação foi feita pelo próprio jogador, numa entrevista incrivelmente aberta e até cruel ao antigo jogador Andy van der Meijde, emitida no canal holandês Videoland.
"Em determinado momento ficámos sem dinheiro. Mesmo quando arranjávamos trabalho, o dinheiro nunca chegava. Tanto que houve uma altura em que os meus pais disseram que iam começar a traficar droga". O problema foi que não seriam os pais de Willems a fazê-lo, mas sim o próprio, quando na altura ainda era uma criança, com apenas 9 anos. Tudo porque, por ser uma criança, não ser expectável que fosse feita uma revista no aeroporto.
"Sacrifiquei-me. Os meus pais falaram comigo, porque era uma loucura. Se é para fazê-lo pela minha família, faço-o claro! Colocaram a droga em volta das minhas pernas, foi muito estranho, mas a verdade é que eles [seguranças do aeroporto] não prestam atenção às crianças. Foi uma luz sobre nós! Tudo correu bem, eles arranjaram trabalho e depois tudo correu bem. Mas não queria voltar a viver algo assim. Disse aos meus pais para darem à minha irmã tudo o que me iam dar a mim. A única coisa que queria era uma bola de futebol. E no final de contas foi mesmo a bola que me salvou a vida", assumiu o internacional holandês, que depois daquele momento certamente assustador conseguiu cumprir o seu sonho de jogar futebol.
Primeiro no Spartaan'20, depois no Sparta Roterdão, o clube que o fez entrar no radar até que em 2011 se mudou para o PSV. Atuou nos de Eindhoven até 2017, para em 2017 se mudar para a Alemanha, onde é colega de equipa de André Silva.