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O Governo francês suspendeu os testes antidoping à seleção gaulesa antes do Mundial'1998, organizado e conquistado pelos bleus, revelou a então ministra do Desporto, num documentário sobre Zinédine Zidane, campeão naquele ano e recém-nomeado selecionador nacional.
"Foi um retrocesso", assumiu Marie-George Buffet, em declarações divulgadas esta 2.ª feira pela estação televisiva francesa BFM TV, reconhecendo a existência de instruções ministeriais para que os gauleses deixassem de ser alvo de controlos surpresa até ao início da principal competição internacional de seleções.
A revelação surge no mais recente documentário sobre Zidane, vencedor da Bola de Ouro em 1998, ano no qual a França se sagrou campeã do mundo pela primeira vez, ao vencer na final o Brasil (3-0), recordista de títulos (cinco) e presenças (23), em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
Em 1997, num estágio de preparação em Tignes, a Federação Francesa de Futebol (FFF), o selecionador Aimé Jacquet e os jogadores criticaram a realização de controlos antidoping inopinados, alegando perturbações no trabalho da equipa.
"Recebi indicações para não incomodar mais a seleção francesa até ao Campeonato do Mundo. Por outras palavras, nada de testes surpresa", observou Alain Garnier, médico enviado pelo Ministério do Desporto a Tignes para realizar os controlos, que deram sempre resultados negativos.
Questionada sobre as declarações proferidas por Garnier no documentário, Marie-George Buffet não negou a possibilidade de ter transmitido essa indicação, embora tenha admitido não se recordar das palavras utilizadas.
"Se ele diz isso, então sim, deve ser verdade. Não dissemos exatamente isso, mas vai dar ao mesmo. Devemos ter recebido instruções dos gabinetes ministeriais. Foi um duro revés na luta contra o doping. Depois do Mundial'1998, retomámos o combate", lembrou a antiga governante, envolvida um ano depois na primeira legislação antidopagem em França.
Os gauleses só reconquistaram o título mundial em 2018, na Rússia, quase duas décadas depois do êxito no Euro'2000 com vários campeões de 1998, incluindo Fabien Barthez, Laurent Blanc, Lilian Thuram, Marcel Desailly, Bixente Lizarazu, Patrick Vieira, Emmanuel Petit, Didier Deschamps, que deixou em julho o comando dos bleus 14 anos depois, Robert Pirès, filho de pai português, Zidane, Youri Djorkaeff, Thierry Henry e David Trezeguet.
Em 2013, perante uma comissão do Senado, Buffet negou sob juramento ter ordenado a interrupção dos controlos sem aviso prévio, apesar de assegurar que enfrentou pressões "de todos os tipos" naquele período.
Por Lusa