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Marcelino Toral chegou ao comando técnico do Marselha em julho deste ano e, em setembro, deixou o cargo devido à pressão dos adeptos sobre o presidente e sobre a sua família. Em declarações ao 'L'Équipe', o treinador espanhol, que esteve sete jogos à frente da equipa, garantiu "nunca ter visto algo assim" e considerou ser "absolutamente impossível" ter um projeto naquele emblema.
"Numa segunda-feira treinámos com normalidade. Depois, à noite, o Pablo [Longoria, presidente do Marselha] ligou-me e contou-me aquilo que tinha acontecido na sede do clube. Ele e a direção receberam ameaças e foram praticamente obrigados a deixar os cargos que ocupavam. Ele estava triste, surpreendido e chocado por ter sido ameaçado. A frustração tomou conta dele. Há coisas que não se podem aceitar, na vida e no futebol. Não é um comportamento normal", começou por justificar Marcelino.
E prosseguiu: "Ficámos muito nervosos, dececionados e tristes. Colocámos todo o nosso entusiasmo num projeto muito atrativo num grande clube. Achávamos que o Marselha era um grande clube em todos os sentidos, mas isto mostrou-nos que não é tão grande como gostaríamos. Alguns ultras querem interferir constantemente no que se passa e estão a fazer com que o clube não cresça. Passei 20 anos como treinador e quase 20 como jogador profissional e nunca tinha visto algo assim na minha vida. E acho que não voltarei a ver".
O técnico lamentou ainda o facto de não o terem deixado colocar as suas ideias em prática: "A minha breve experiência leva-me a pensar que é absolutamente impossível criar um projeto no Marselha. Um clube tão grande não pode ser manipulado por tão poucas pessoas. Estou melhor do que estava há três semanas, mas continuamos chateados por não nos terem deixado trabalhar. É uma situação irreal e asfixiante", rematou.
Refira-se que após a saída de Marcelino Toral, o italiano Gennaro Gattuso assumiu o comando técnico do Marselha.
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