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As últimas décadas estão marcadas por vários escândalos de dopagem e utilização de drogas para o reforço do desempenho desportivo em várias modalidades, mas em Inglaterra o futebol parece viver uma realidade à parte. O jornal inglês 'Daily Mail' divulgou este domingo uma investigação que dá conta que os jogadores da Premier League são submetidos a testes básicos de despistagem apenas uma vez por época. A UK Anti-Doping (UKAD) – agência responsável pela testagem de jogadores da Premier League – nunca sancionou um jogador do principal escalão por dopagem ou consumo de testosterona.
Escrebe o jornal que a falta de qualidade e ineficácia dos testes da UKAD tem também permitido a jogadores tomar substâncias proibidas, como versões sintéticas de testosterona, e não serem detetados. A agência nota os elevados níveis da hormona no corpo do futebolista, mas testes confirmatórios posteriores são necessários, mas nem sempre são efetuados, com apenas 68 em 6943 testes em todos os desportos, pela agência. A investigação revela que 15 jogadores da Premier League falharam testes de droga e dopagem entre 2015 e 2019, mas nenhum foi banido pela UKAD.
Na época de 2017/18, a UKAD recolheu 1923 amostras em cerca de 500 jogadores da Premier League. Durante as épocas de 2018/19, 2019/2020 e 2020/21, os números diminuíram para 1766, 1458 e 729 amostras, respetivamente – com a última época referida a ser afetada gravemente pelo Covid-19.
Comparativamente com outros desportos, é possível ver que, em 2019, a World Athletics retirou seis vezes mais amostras de atletas do que a UKAD retirou de jogadores na Premier League, mesmo tento menos 45 pessoas no universo possível de testagem.
"Futebolistas são testados inadequadamente. Penso que se deva operacionalizar com a forma de testagem mais avançada na altura", diz Margaret Goodman, diretora da Voluntary Anti-Doping Agency (Agência Voluntária de Anti-Dopagem). Em comparação com a agência dirigida por Goodman, a investigação do jornal inglês revelou mesmo que, enquanto a Voluntary Anti-Doping Agency nota uma taxa de 4% de captura, a UKAD apenas regista 0.2%.
O 'Daily Mail' procurou ainda saber, entre as entidades responsáveis, formas de justificar estes pontos, mas ambas garantem que a testagem é "séria", com um porta-voz da federação a confirmar mesmo que o "doping é raro no futebol inglês". A FA recusou, ainda assim, a entrega de detalhes e informação.
Finalmente, a UKAD responde: "O nosso programa de testes no futebol utiliza uma abordagem baseada na informação e no risco para visar indivíduos que acreditamos terem potencial para se doparem."
Por Record