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Numa semana que ficou marcada pelo alegado insulto racista de Gianluca Prestianni a Vinícius Júnior no Benfica-Real Madrid (0-1), da primeira mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, ontem, dois jogadores da Premier League recorreram às redes sociais para divulgar insultos racistas que receberam na caixa de mensagens diretas do Instagram.
Wesley Fofana, defesa-central francês do Chelsea que acabou por ser expulso na partida (72'), antes de o Burnley chegar ao empate, foi um dos jogadores que recebeu inúmeras mensagens naquela rede social, e tudo leva a querer que essas mensagens terão sido enviadas por adeptos dos blues. "Macaco estúpido. Devias ir para o zoo depois daquele cartão vermelho. És um otário", pode ler-se numa das mensagens que o jogador do Chelsea partilhou através das 'stories' do Instagram, onde o próprio acabou também por deixar uma mensagem aos seus seguidores. "2026, continua a mesma coisa, nada muda. Estas pessoas nunca são punidas. Podem criar grandes campanhas contra o racismo, mas efetivamente ninguém faz nada."
Hannibal Mejbri, médio do Burnley que também esteve em campo nesse mesmo jogo, foi o outro jogador que também revelou ter recebido insultos racistas nas mensagens do Instagram. "Macaco terrorista", pode ler-se no conteúdo partilhado pelo centro-campista franco-tunisiano, através de um 'print' onde também é possível ver três 'emojis' de um macaco. "Estamos em 2026 e ainda existem pessoas assim... Eduquem-se, a vocês e aos vossos filhos, por favor", escreveu o futebolista.
Clubes já reagiram em comunicado
Em comunicação publicada no seu site oficial e partilhada nas redes sociais, o Chelsea demonstrou-se "horrorizado e enojado" com as mensagens que o seu jogador Wesley Fofana recebeu nas redes sociais.
"O Chelsea Football Club está horrorizado e enojado com os vis insultos racistas online direcionados a Wesley Fofana. O abuso racista seletivo a que Wes foi submetido após o jogo de hoje da Premier League contra o Burnley é abominável e não será tolerado. Tal comportamento é completamente inaceitável e vai contra os valores do jogo e tudo o que defendemos como clube. Não há lugar para o racismo. Estamos inequivocamente ao lado de Wes. Ele tem o nosso total apoio, tal como todos os nossos jogadores que são, com demasiada frequência, forçados a suportar este ódio simplesmente por fazerem o seu trabalho. Iremos trabalhar com as autoridades e plataformas competentes na identificação dos perpetradores e tomaremos as medidas mais severas possíveis", pode ler-se no comunicado do clube.
Também em comunicado, o Burnley partilhou o mesmo sentimento de repulsa para com as mensagens que o seu jogador, Hannibal Mejbri, recebeu através do Instagram, afirmando que denunciou o seu conteúdo diretamente à empresa-mãe da plataforma, a Meta, bem como a própria Premier League e forças policiais com o intuito de identificar o remetente.
"Todos no Burnley FC estão enojados com os insultos racistas online direcionados a Hannibal após o jogo de hoje da Premier League. Não há lugar para isto na nossa sociedade e condenamo-lo sem reservas. O clube continua a ser inequívoco na sua posição - temos uma abordagem de tolerância zero a qualquer forma de discriminação. O clube denunciou a publicação à empresa-mãe do Instagram, a Meta, e espera um forte apoio da parte deles, juntamente com a Premier League e a Polícia, e trabalhará para garantir que o indivíduo responsável seja identificado e investigado. Hannibal receberá o apoio total do clube e dos adeptos do Burnley, que já vimos condenar o abuso", vincam.