O primeiro dia do 3.º Congresso Internacional de Guarda-Redes contou com um momento que silenciou a plateia. Teresa Enke, viúva do guardião alemão que vestiu a camisola do Benfica entre 1999/00 e 2001/02, falecendo em 2009, recebeu a homenagem "redes seguras" e as palavras, em português, emocionaram os cerca de 120 participantes. Primeiro um vídeo com imagens de grandes defesas de Robert Enke. Depois... as palavras sentidas.
"O Robert ficaria muito emocionado, feliz e orgulhoso por receber esta homenagem. Espero que esteja, lá em cima, a ver que o futebol português se lembra do seu Enke", começou por dizer Teresa, que rapidamente relembrou a passagem do marido pelo futebol português. "Os três anos no Benfica foram os melhores da carreira do Robert Enke. As pessoas, o país e, claro o Benfica, deixavam-no bem. Seis letras: Lisboa. O seu refúgio. Quando chegámos cá para assinar contrato foi quando a doença se manifestou pela primeira vez, mas recuperou e tinha uma grande alegria de jogar pelo Benfica. O seu maior desejo era terminar a sua carreira aqui, no Benfica", afirmou.
As exibições de Robert Enke com a camisola das águias despertaram o interesse do Barcelona, que na época 2002/03 avançou para a sua contratação, mas coisas não correram bem. "Foi muito complicado lidar com a crítica da imprensa e, ainda pior, de algumas pessoas do clube. Era muita a crítica em cima de jogadores que tinham sido contratados", relembrou Teresa.
Paulo Lopes recorda colega
O guarda-redes Paulo Lopes cruzou-se com Robert Enke no Benfica. Privou, treinou e "aprendeu muito" com o jogador alemão. "Robert Enke era fantástico! Gostei muito de trabalhar com ele. Aprendi muito. Ele era um verdadeiro perfecionista. Queria sempre melhorar", relembrou o campeão nacional, depois de contar que também ele já passou por certas alturas menos felizes. "Houve alguns momentos em que pensei que as coisas não seriam possíveis, mas a família foi fundamental e determinante", frisou.
Peter Shilton relembrou a famosa "Mão de Deus"
Uma carreira que ficará para sempre marcada por esse momento de Maradona. Na baliza estava Peter Shilton, a defender as cores da seleção de Inglaterra. "Claro que esse assunto é sempre falado. Obrigado por ter deixado para a última pergunta", gracejou o antigo internacional inglês, de 66 anos, para Carlos Daniel, moderador da mesa redonda.
"Nunca houve um pedido de desculpa por isso. Devia ter acontecido no final do encontro. O que o Maradona fez foi instinto. Ele sentiu que já não conseguia chegar à bola e foi lá com a mão", frisou.
Mas Peter Shilton foi muito mais do que um guarda-redes que sofreu um dos golos históricos do futebol mundial. Marcou um golo pelo Leicester e foi internacional por 125 vezes. "É um prazer enorme receber este reconhecimento aqui. Estou muito orgulho por receber este prémio", assegurou.
Por André Ferreira