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‘Braga Sports Summit' abre com palestra sobre a importância do desporto para o combate de doenças

• Foto: Diogo Matos

Arrancou, esta sexta-feira, a primeira edição do 'Braga Sports Summit', que se irá prolongar até sábado. A sessão que abriu o evento intitulou-se de "O exercício físico como medicamento não farmacológico", pelo que esteve em discussão a importância do desporto no combate a diversas doenças.

Tiago Rafael Moreira, coordenador do projeto 'Quality Onco Life' e professor no Instituto Politécnico da Maia, foi o primeiro orador a intervir e falou acerca do benefício do exercício físico na população oncológica. "A doença oncológica tem vindo a aumentar e os diagnósticos têm sido cada vez mais tardios. Os tratamentos inerentes à resolução do problema acarretam inúmeras consequências em termos de qualidade de vida das pessoas. O exercício físico ajuda a reduzir o risco de desenvolver cancro e outras doenças", começou por referir, acrescentando que os níveis de inatividade física chegam aos 70 por cento em Portugal. Tiago Rafael Moreira deu ainda um exemplo concreto em relação a esta temática: "Nos casos de cancro de mama há uma mutilação do braço, sendo que, depois, há uma imobilização do membro por medo de se magoar. No entanto, o exercício físico ajuda a retomar a amplitude de movimento. Exercício físico vai ajudar a diminuir a magnitude dos problemas associados a este tipo de doenças. Não faz milagres, mas ajuda a que a magnitude destes problemas não seja tão grande, ajuda a devolver a qualidade física e ajuda em questões como a fadiga e a disfunção sexual".

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Por seu lado, Pedro Morouço, licenciado em Ciências do Desporto e Diretor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria, explorou a temática da prescrição de exercício físico em contexto de unidade de saúde, contexto no qual foi pioneiro. "O exercício físico é uma forma de combate a 26 doenças crónicas. A primeira destas consultas de atividade física aconteceu a 16 de abril de 2019 e o projeto em Leiria funcionou muito bem porque foi possível criar uma amizade entre um médico e um profissional da área do desporto que não se conheciam, agora estamos a retomar depois da Covid-19. Deve-se falar de envelhecimento saudável e não de envelhecimento ativo. Precisamos que sejam colocadas junto da tutela que rege a saúde em Portugal pessoas que dominam a área", vincou.

Rafaela Rosário, docente na Escola Superior de Enfermagem do Minho, levou para a discussão o tema da obesidade infantil, isto numa altura em que tem desenvolvido programas de investigação em escolas de região que têm contribuído para a diminuição da incidência do excesso de peso: "Aquilo que consumimos é superior ao nosso gasto e acabamos por desenvolver obesidade, nos últimos 40 anos a incidência de excesso de peso tem prevalecido. Em Portugal, há uma prevalência de cerca de 30 por cento em crianças com menos de 10 anos. Há questões ambientais socioculturais que também têm influência nesta questão, mas prevenir é sempre melhor do que curar".

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Por fim, Óscar Gonçalves, professor catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e investigador do CINEICC e do Proaction Lab, falou sobre a ligação da saúde mental com o desporto

"Hoje em dia, o exercício físico- o treino aeróbico e de resistência- tem semelhanças com psicolfarmacológicos e psicolterapêuticos. O exercício físico é uma das formas mais extraordinárias de estarmos a trabalhar o cérebro e a mente ao mesmo tempo. Com o exercício verifica-se um aumento da volumetria de áreas do cérebro que estão relacionadas com a memória e o bem estar, por exemplo. Isto aumenta, de forma natural, a funcionalidade cerebral. Há uma grande relação entre o desporto e aquilo que são os efeitos cognitivos e afetivos e uma das coisas que importa perceber é a forma como o exercício pode ajudar a uma vida de alto rendimento", rematou.

Por Diogo Matos
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