O JOGADOR de andebol ideal é alto e forte, tem boa mobilidade e cultura táctica, defende e ataca bem. Só que atletas com estas qualidades são raros e a raridade paga-se a peso de ouro. Sem capacidade de competirem nessa área a nível europeu, nem por isso os clubes portugueses têm deixando de melhorar os seus plantéis dando especial importância à qualidade dos atletas, mas também centrando-se na sua envergadura. O trabalho de formação tem dado alguns frutos para alguns, mas o recurso a estrangeiros é a saída para todos os que querem gigantes em postos específicos cruciais.
Os “pivots” Yuri Nesterov e Alexandru Dedu foram contratados para colmatarem carências específicas dos plantéis do ABC e FC Porto, respectivamente, e fazem parte da nova vaga de gigantes chegados ao andebol português. Aleksander Donner, técnico do ABC, esclarece que o russo "veio mais para defender do que para atacar. Procurava um ‘pivot’ alto para o centro da defesas, porque há ‘pivots’ mais pequenos e perigosos no ataque, mas que depois não são tão bons a defender. No entanto, há vários critérios que têm de ser observados antes de contratar qualquer jogador. Dou grande importância ao carácter, não gosto de estrelas e prefiro um atleta menos forte desde que seja um lutador".
José António, treinador do Belenenses, equipa que tem a terceira melhor média de alturas da primeira linha do campeonato da I Divisão, frisa que "a envergadura física é uma questão fundamental. Os jogadores mais altos têm melhores condições, mas a sua integração tem de ser vista em função das necessidades da equipa". José António Silva, do Águas Santas, concorda e acrescenta: "Admito que entre jogadores de igual valor optarei pelo mais alto. Se pudesse ter 12 atletas de grande envergadura seria óptimo, mas como não é assim, torna-se fundamental ter laterais, ‘pivots’ e guarda-redes altos."
DEFESA/ATAQUE
A maioria dos treinadores de clubes de I Divisão - foram ouvidos sete - concorda que o ritmo de jogo cada vez mais elevado tende a reduzir o número de substituições defesa/ataque. Alguns consideram mesmo que elas têm os dias contados. No entanto, utilizam-nas e defensivamente recorrem aos homens mais altos que, depois, cedem o lugar a outros, por vezes bem mais baixos, em situações de ataque planeado. "É fundamental ter atletas altos na defesa. O central e os dois homens que o ladeiam têm de ser altos. Mas, actualmente, a minha equipa só tem uma substituição defesa/ataque, ainda que essa situação esteja dependente do adversário com que se joga", refere Luís Graça, técnico do FC Gaia. José António Silva reforça: "Há estudos feitos que provam que a defesa ganha jogos."
Nikolay Gueorguiev, do Madeira SAD, formação com um plantel com a média de altura mais baixa da I Divisão, salienta que "o ideal é ter atletas altos que defendam e ataquem bem. Mas, se assim não puder ser, eles são essenciais na defesa. A altura tem muita importância, principamente no centro da defesa".
António Santos, técnico do V. Setúbal, acrescenta que "tudo depende do posto específico, mas tenho grande preocupação a nível defensivo, onde é crucial ter jogadores altos, com mobilidade para se enquadrarem nos ataques rápidos".
JOGADORES «GIGANTES»
Nome: Yuri Nesterov
Idade: 33 anos
Altura: 2,07 metros
Peso: 110 kg
Posição: pivot
País: Rússia
Clube: ABC
Nome: Konstantin Dolgov
Idade: 34 anos
Altura: 2,07 metros
Peso: 115 kg
Posição: lateral-esquerdo
País: Rússia
Clube: V. Setúbal
Nome: Alexandru Dedu
Idade: 29 anos
Altura: 2,05 metros
Peso: 115 kg
Posição: pivot
País: Roménia
Clube: FC Porto
Nome: Vojislav Kraljic
Idade: 28 anos
Altura: 2,05 metros
Peso: 100 kg
Posição: lateral-esquerdo
País: Jugoslávia
Clube: Sporting
Nome: Vladimir Cveticanin
Idade: 30 anos
Altura: 2,05 metros
Peso: 112 kg
Posição: lateral-esquerdo
País: Jugoslávia
Clube: Águas Santas