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Ulisses Pereira: «Selecionador não deve ganhar mais do que 4 mil euros»

Ulisses Pereira: «Selecionador não deve ganhar mais do que 4 mil euros»

O presidente da Federação Portuguesa de Andebol (FPA), Ulisses Pereira, lamentou que o "quadro de excelência" perseguido por anteriores líderes federativos tenha deixado o organismo numa "situação financeira delicadíssima", asfixiado por um passivo de 1,2 milhões de euros.

Em entrevista à Lusa, pouco mais de um mês após ter sido eleito, Ulisses Pereira explicou que a prioridade para o curto mandato intercalar, até ao fim de 2012, passa por evitar o "colapso" da FPA, pela via da restruturação da dívida através da contração de um empréstimo bancário.

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"A federação tem uma situação financeira delicadíssima, com mais de 1,2 milhões de euros de passivo e temos de fazer uma reestruturação dessa dívida. A minha maior perplexidade é termos continuado a perseguir um quadro de excelência sem existirem recursos financeiros", observou.

Ulisses Pereira espera continuar a contar com a "boa vontade de alguns fornecedores", mas avisou que a "pressão financeira é muito grande" e que só a restruturação do passivo a quatro ou cinco anos permitirá regularizar "dívidas a árbitros e associações regionais, dois pilares fundamentais do desenvolvimento da modalidade".

"Mesmo em tempos difíceis para a obtenção de crédito estou esperançado que conseguiremos chegar a acordo com uma instituição financeira que permita que esta atividade que envolve tantos milhares de atletas possa não ter um colapso. Espero que até ao final de junho essa situação possa estar resolvida. Se não estiver poderemos ser forçados a algumas medidas mais drásticas", advertiu.

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Para Ulisses Pereira, o passivo explica-se em grande parte pela "falta de adequação das políticas aos recursos financeiros da federação", em especial a contratação da equipa técnica, comandada pelo sueco Mats Olsson, que será substituído após os jogos do playoff de qualificação para o Mundial'2013, frente à Eslovénia.

"Só a alteração do custo com a direção técnica nacional, se forem para valores expectáveis com as opções que já assumimos relativamente a ter de ser um selecionador português, e se multiplicarmos isso por quatro, cinco ou seis anos temos a perceção porque existe este passivo", assinalou Ulisses Pereira, observando que "mesmo o próprio Estado questionou os valores envolvidos".

O líder federativo advertiu que "um selecionador nacional no atual quadro não deve ganhar mais do que 3.500 a 4.000 euros, um quarto do vencimento" de Olsson, apesar de reconhecer "o mérito do trabalho" do treinador sueco, não obstante várias qualificações falhadas para as fases finais de grandes competições.

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"Não avaliamos a sua continuidade porque não temos condições financeiras para manter um selecionador como Mats Olsson. Tenho a certeza que continuará a cooperar connosco, continuará a ser um embaixador do andebol português no estrangeiro e continuará a abrir-nos muitas portas, como tem aberto", afirmou.

O próximo selecionador português de andebol só será anunciado durante a segunda quinzena de junho, mas há já duas certezas quando ao sucessor de Olsson:

"Será português e não acumulará essas funções com a de treinador de nenhum clube, ainda que outros elementos do corpo técnico o possam fazer".

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"Não queremos que isso interfira na preparação do playoff. A decisão será rápida e o anúncio imediato. Presumo que até ao final do mês de junho esteja concluído. As nossas opções vão passar por uma equipa técnica muito rejuvenescida, com a inclusão de figuras de referência da modalidade", precisou.

Além da redução de custos com a nova equipa técnica e do "emagrecimento da estrutura federativa", a estratégia passa também por alterações nos quadros competitivos, apesar de o escalão principal manter o formato da presente época, contra a proposta de Ulisses Pereira, que defendia o recurso aos playoff", mas encontrou a oposição por parte dos clubes.

"No setor feminino já houve um entendimento para fazer a experiência dos playoff, mas será nos escalões inferiores que existirão alterações substanciais e voltaremos a tempos antigos, com grande parte da época a realizar-se com base em competições de âmbito distrital e de apuramento para fases finais", precisou.

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Ulisses Pereira foi eleito presidente da FPA a 31 de março, para um mandato intercalar que termina a 31 de dezembro de 2012, coincidente com o fim do ciclo olímpico, na sequência da demissão de Henrique Torrinha, que invocou "razões pessoais e de saúde"

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