_

Carlos Lopes lamenta "perda irreparável" do ícone Fernando Mamede

Fernando Mamede e Carlos Lopes em Estocolmo'1984
• Foto: DR

O antigo atleta Carlos Lopes, campeão olímpico da maratona em Los Angeles'1984, lamentou esta 4.ª feira a "perda irreparável" do colega de equipa Fernando Mamede, considerando-o um "ícone do desporto" com quem muito aprendeu.

"Fomos colegas, fizemos coisas extraordinárias, que ficam para a história do desporto português, cada um à sua maneira, portanto, esta perda é realmente dolorosa, mais para a família, mas também para as pessoas que gostam muito de desporto. É uma perda irreparável, [Fernando Mamede] é um ícone do desporto, às vezes mal compreendido", lamentou o ex-campeão olímpico, em declarações à Lusa.

PUB

Recordando os 20 anos em que treinaram juntos no Sporting, Carlos Lopes, o primeiro campeão olímpico português, afirmou que o que distinguia os dois atletas era o facto de Fernando Mamede "ser mais rápido na ponta final", mas que cada um "lutava com as armas que tinha".

"Uma vez ganhava eu, outra vez ganhava ele, enfim, é a lógica da vida e do desporto. Quero-lhe agradecer, também, o muito que aprendi com ele, porque sem ele, eu se calhar não era tão bom", reiterou o antigo maratonista.

PUB

Fernando Mamede, nascido em Beja, foi detentor durante cinco anos do recorde mundial dos 10.000 metros, entre 1984 e 1989, tendo marcado presença em três edições dos Jogos Olímpicos (Munique1972, Montreal1976 e Los Angeles1984).

Sempre ao serviço do Sporting, clube em que ingressou em 1968 através do também lendário professor Mário Moniz Pereira, Mamede bateu ainda 27 recordes nacionais e três europeus.

A carreira intermitente de Fernando Mamede tem como pináculo os 27.13,81 minutos nos 10.000 metros do recorde do mundo, estabelecidos em 02 de julho de 1984, em Estocolmo.

PUB

No DN Galan, assim se chamava o meeting sueco, Mamede impôs-se a Carlos Lopes, segundo com o tempo de 27.17,48, e que o ajudou a melhorar o recorde que estava na posse do queniano Henry Rono (27.22,48), num feito imortalizado numa produção musical da dupla Éme e Moxila.

A marca mundial do atleta alentejano durou até o mexicano Arturo Barrios fixar o máximo em 27.08,23 cinco anos depois, em Berlim.

Mesmo assim, passados mais de 40 anos, Mamede continua a ser o último atleta europeu detentor do recorde mundial dos 10.000 metros.

PUB

Especialista em provas de fundo, Mamede conquistou ainda uma medalha de bronze no Campeonato do Mundo de corta-mato de 1981, em Madrid.

De acordo com a comunicação social portuguesa, que cita fontes da Federação Portuguesa de Atletismo, Fernando Mamede terá falecido devido a complicações cardíacas.

Por Lusa
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Atletismo Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB