No dia 28 de fevereiro de 1976, em Chepstown, no País de Gales, Carlos Lopes conquistava o primeiro, de três, títulos mundiais de corta-mato. Uma data que a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) não deixou passar em claro, tendo sido assinalada esta sexta-feira num homenagem que contemplou a entrega de um troféu em cristal e o título de membro honorário da Federação, distinção que é entregue pela primeira vez a um atleta.
Carlos Lopes, de 79 anos, recordou vários momentos da sua carreira, referindo que o atletismo até foi um acaso na sua vida. "Fiz atletismo por prazer. Toda a gente sabe da paixão que tinha pelo futebol... mas a bola fugia de mim. O atletismo aconteceu por acaso. Fiz coisas maravilhosas que são recordadas com paixão".
E de uma coisa não tinha dúvidas há 50 anos, quando se preparava para o Mundial de corta-mato. "Na véspera sabia que ir ser campeão mundial. Tinha consciência do que valia... e já estava 20 anos à frente de todos naquela altura".
"Mas foi um prazer tremendo quando cheguei à meta com a medalha já garantida e dizer que valeu a pena todos os sacrifícios de 12 anos para chegar àquele momento", destacou ainda.
O também campeão olímpico da maratona em Los Angeles'1984 recorda ainda o facto de trabalhar ao mesmo tempo que fazia atletismo.
"Nunca deixei de trabalhar. Quando estava no banco levantava-se às 6h30 para ir treinar. Tinha obrigações para com a família, nada me caiu do céu. Cumpri sempre com o meu dever".
E alguém perguntou a Lopes como são passados os seus dias de hoje. "Tento manter o equilíbrio arranjo o frigorífico lé em casa...tenho jeito para estas coisas. E às vezes oiço a minha mulher: 'oh Carlos faz lá o almoço e o jantar'. E eu faço", revelou para gerar risos na plateia.
Uma plateia bem composta, onde não faltaram Daniel Monteiro (Confederação do Desporto de Portugal), Susana Feitor (Fundação do Desporto), Diana Gomes (COP), José Lourenço (CPP), Ricardo Gonçalves (IPDJ) e Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto, entre outros. O governante frisou que "reconhecer o mérito e a excelência é um princípio que a sociedade deve ter sempre presente", em especial por alguém que "continua a ser, foi e vai ser sempre um ídolo que inspira" a população portuguesa.
E o anfitrião, Domingos Castro, não escondeu a emoção ao falar de Carlos Lopes, recordando quando eram colegas no Sporting e quando o acompanhava nos treinos, a muito custo, "porque o Lopes corria mais do que toda a gente".
"Cheguei a tudo isto por causa dele, já não tenho mais nenhum sonho por concretizar", frisou o agora presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, que não escondeu as emoções ao falar de Carlos Lopes.
"É um honra, felicidade e emoção ter-te aqui. És um herói nacional e que a modalidade te deve muito".
Por Ana Paula MarquesAtingiu o topo do mundo numa final com todas as figuras da atualidade e assume que ser o outsider foi bom
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