Filipe Ventura quer voltar a bater recorde do dardo

PORTUGAL tem, desde Março passado, um novo recordista nacional do lançamento do dardo, que já por duas vezes neste início de época melhorou o antigo recorde do seu companheiro de equipa (e de treino), João Reis. É Filipe Ventura, do Sporting, e tem apenas 21 anos, feitos em Fevereiro passado. Em Março, num "chuvoso" Torneio Nacional de Lançamentos, em Leiria, conseguiu 71,41 metros ao segundo ensaio, quase um metro mais que o anterior recorde de João Reis, que chegou aos 70,68 em 1996. No passado sábado, em Alvalade, no encontro frente ao Valência, juntou-lhe mais um metro e oito centímetros (72,49), logo ao primeiro ensaio.

Já nesta pré-época, em Janeiro, Filipe Ventura havia melhorado o seu recorde pessoal de 69,36 (marca que lhe valera no ano passado o seu primeiro título nacional) para 69,72, a menos de um metro do recorde. Não foi, pois, uma surpresa o primeiro recorde da época. E, então, ele até esperava melhor. "Pelos treinos que estava a fazer, julgo que estaria a valer uns 72/73 metros. No início das provas as condições ainda eram boas e consegui o recorde ao segundo ensaio. Mas, depois, começou a chover e prescindi dos três ensaios seguintes. Não valia a pena. Voltei a lançar no último e fiz 65 metros."

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Também desta vez Filipe Ventura teve problemas no seu concurso. "Fui para a prova com uma lesãozita que me tem impedido de treinar a cem por cento. É uma contractura nas costas que, apesar dos tratamentos que tenho feito, me tem prejudicado. Uns dias estou melhor, outros pior… Desta vez, arrisquei tudo no primeiro lançamento, pois sabia que, nos restantes, me iria ressentir. E assim foi. No primeiro bati o recorde, depois, prescindi do segundo lançamento e fiz depois mais três, mas sempre a piorar. As costas doíam-me cada vez mais. Embora receasse ficar pior…"

O seu recorde, no entanto, não está seguro. O antigo recordista João Reis ainda há dias lançou a 71,13. Mas Filipe Ventura reconhece que está em vantagem. "Ele também vale o recorde, mas não tem uma vida nada fácil, pois conduz autocarros da Carris e, com os treinos e o trabalho, não lhe sobeja muito tempo para descansar e recuperar…"

NASCIDO EM ESPANHA

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Filipe Ventura nasceu há 21 anos em Irún, Espanha, perto da fronteira francesa. Os pais estavam lá a trabalhar mas, com ano e meio de vida, o pequeno Filipe veio viver para Portugal. E aos nove anos entrou numa corrida popular, na Baixa da Banheira. Logo a seguir ingressou na Quimigal, conhecendo o seu primeiro treinador, o dedicado José Bastos, também ele antigo lançador de dardo. Fez de tudo um pouco, das corridas às barreiras e aos lançamentos e foi ao lançar a bola a mais de 80 metros, como iniciado, que acabou por se fixar no lançamento do dardo. Foi vencedor do disco e do dardo no DN Jovem de 1993, como iniciado, e, num estágio de jovens atletas, conheceu aquele que é o seu actual treinador, Carlos Sustelo, antigo recordista nacional do martelo. Sustelo era então treinador do Benfica e convenceu-o a ingressar no clube da Luz, onde se manteve quatro épocas.

Depois, com a saída do técnico do Benfica, também ele (e o seu colega de lançamentos Manuel Oliveira) deixou a Luz, passando a individual e ingressando na época passada no Sporting. Era já então mais que uma promessa, chegando a recordista nacional de juniores (67,12) e sendo considerado mesmo a Revelação do Ano da "Revista Atletismo", em 1997.

PROGRESSOS SEGUROS

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Os seus progressos têm sido regulares e ainda esta época Filipe Ventura espera chegar aos 74/75 metros. "Nesta altura já devia estar a fazer uns 73/74 metros, mas a lesão não me deixa puxar muito nos treinos. Mas espero lá chegar. Embora, para já, o objectivo seja fazer os mínimos para o Campeonato da Europa de sub-23, que se realizam em Gotemburgo, em finais de Julho, e no qual espero chegar à final. Faltam apenas 32 centímetros para o mínimo (72,80), mas quero ficar descansado o mais depressa possível…"

Entretanto, embora reconhecendo que o mínimo é difícil (82 m), Filipe Ventura sonha com os Jogos Olímpicos de Sidney, no próximo ano. "Vou fazer por isso…"

MEDICINA ESPERA…

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Depois de uma experiência em informática e gestão de empresas, Filipe Ventura optou por medicina, entrando para a faculdade ao abrigo do estatuto de atleta de alta competição. Vive no CAR -- Centro de Alto Rendimento, no Jamor, e agradece o apoio que, em termos de equipamento, tem da Sailev, dos antigos atletas Tadeu de Freitas e Francelina Anacleto. "Vou estudando aquilo que posso. Treino de manhã, das oito às dez ou das dez ao meio-dia, consoante as aulas, e, depois, volto a treinar a partir das cinco da tarde.Mas só faço treinos bidiários duas a três vezes por semana. Para já, a prioridade vai para o desporto. Se, um dia, vir que não consigo nada de especial no atletismo, então passarei a estudar mais…"

ARONS DE CARVALHO

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