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Há 30 anos, Portugal era uma referência no meio-fundo, mas na última década tornou-se num país de saltadores à custa dos sucessos internacionais de Nelson Évora e Patrícia Mamona, que na última década conquistaram dez medalhas nas grandes competições. Numa escala de 0 a 10, nota 10 para eles.
Em Portugal, não há nenhuma outra disciplina com tanto mediatismo repartido por homens e mulheres a um nível tão elevado. As dez medalhas são o melhor exemplo e espelham a consistência ao mais alto nível de Nelson, de 32 anos, e Patrícia, de 28, sinal de grande profissionalismo dos atletas e dos seus treinadores, que desbravam um caminho quase desconhecido numa era em que o conhecimento científico tem uma maior relevância na carreira de um atleta de elite.
Em Portugal, o primeiro atleta a ter grande expressão internacional foi Rui Ramos, do Belenenses, que em 1952, antes de seguir para os Jogos Olímpicos de Helsínquia, bateu o recorde de Portugal, a 22 de junho, com 15,54 metros. Na altura era o 2º europeu e o 3º do Mundo, apenas superado pelo brasileiro Adhemar Ferreira da Silva e pelo russo Leonid Schcherbakov, que seriam ouro e prata em Helsínquia. Ramos, que era treinado pelo jornalista Alberto Freitas e ajudava o Belenenses na estafeta de 4x100 metros, quedou-se pelo 12º lugar na final desses Jogos.
O recorde do atleta do Belenenses durou 14 anos e seria batido pelo eclético Júlio Fernandes, do Sporting, com 15,61 metros, mas o atleta de Alvalade nunca foi a uma grande competição.
Depois de Luís Azevedo, do Sporting, ter sido o primeiro a passar a barreira dos 16 metros surgiu nos anos 90 um dos maiores talentos. Trata-se de Carlos Calado, um diamante que nunca chegou a ser devidamente lapidado. Com a camisola do Rio Maior passou os 17 metros (17,08 metros) em 1996 e depois Portugal teve de aguardar pela chegada de Nelson Évora para dar um empurrão ao triplo.
Foi campeão mundial, olímpico e europeu e mesmo depois de ter partido a perna e sido operado por duas vezes, Nelson arranjou força e motivação para pular para as medalhas. Um raro exemplo.
Patrícia Mamona, por seu lado, não teve antecessoras com marcas de grande expressão mundial, mas ela assumiu, a par de Susana Costa, um grande protagonismo e Portugal foi o único país a ter duas finalistas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. É obra.
Por Norberto Santos