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"Não faço batota nem me dopo. A verdade está do meu lado". Foi assim que Rhonex Kipruto reagiu à decisão desta quarta-feira da Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) em suspendê-lo de forma provisória devido a irregularidades que terão sido detetadas no seu passaporte biológico.
A reação surge num longuíssimo comunicado da Ikaika Sports, a agência que representa o recordista mundial dos 10 quilómetros, no qual esta é perentória a garantir que os "factos dizem que [Kipruto] não fez batota". "O ABP [passaporte biológico] devia proteger os atletas limpos e não maltratá-los", acrescenta a mesma nota. No seu comunicado, a agência dá a voz a três especialistas independentes, que colocam em causa a validade do passaporte biológico neste tipo de situações, e ainda conta com a garantia do agente Davor Savija de que, caso se confirmem estas alegações, irá devolver na totalidade os valores de comissão pagos pelas organizaçõesde provas.
Outro nome citado neste comunicado é Colm O'Connell, o treinador de Rhonex Kipruto, considerado por muitos como o pai do atletismo queniano, que deixou a garantia de que confia na inocência do atleta. "Escolho cuidadosamente os atletas com os quais trabalho e aos quais dedico a minha energia. Conheço o Rhonex como um jovem honesto e magoa-me vê-lo sofrer agora. A nossa estratégia é treinar duro, só assim atingimos resultados. Tenho dito várias vezes que estou a favor de combater de forma sistemática o doping, de forma a protegermos atletas limpos como o Rhonex."
No meio de várias alegações e possíveis justificações, a Ikaika Sports lembra que todos os testes antidoping do atleta deram negativo (mais de 50) e que a sua localização é "bastante regular e previsível". "As alegadas inconsistências no passaporte biológico surgem de vários fatores, como a carga de treino, o estado de saúde, os níveis de hidratação, viagens, consumo significativo de álcool e como o corpo reagiu sob diferentes circunstâncias", pode ler-se na nota, na qual Davor Savija lembra ainda que duas das amostras consideradas como 'alerta' surgiram em maio e junho de 2020, numa altura na qual já se sabia que os Jogos Olímpicos iam decorrer em 2021 e não havia sequer provas no horizonte.
O agente recorda ainda que o período pandémico foi bastante complicado para o atleta, com uma quebra no seu ciclo de treino e uma mudança negativa em termos de estilo de vida, o que poderia ter tido impacto nos resultados das amostras.
Por Fábio Lima