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Ticha Penicheiro: «Os passes que fiz poderiam ser virais hoje em dia»

Ticha Penicheiro: «Os passes que fiz poderiam ser virais hoje em dia»

Ticha Penicheiro, considerada a melhor basquetebolista portuguesa de sempre, foi a convidada do sexto episódio do 'Dois para um', o podcast conjunto de Record e da Federação Portuguesa de Basquetebol que conta também, no lote de entrevistadores, com o antigo internacional português João Santos - e que pode ver na íntegra no site e YouTube de Record. Numa conversa em que passou em revista a sua grandiosa carreira e o cargo que desempenha agora como agente de jogadoras, a antiga internacional portuguesa admitiu que o seu estilo vistoso de jogar poderia ter, na atualidade, ainda mais impacto mediático devido às redes sociais, ajudando a impulsionar a WNBA.

"Alguns dos passes que fiz poderiam tornar-se virais [agora]. Podemos usar as redes sociais e algo ser viral, até a nível mundial. A Caitlin Clark [Indiana Fever] é exemplo disso, um fenómeno que começou a desenvolver-se na universidade, com performances incríveis. As redes sociais podem realmente impulsionar a carreira ou a vida de qualquer um. Um 'highlight' é suficiente para chamar a atenção", referiu Ticha, que acredita que, apesar das mudanças no basquetebol, jogaria hoje em dia "da mesma forma".

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Elegendo o título de campeã da WNBA pelas Sacramento Monarchs, em 2005, como o ponto alto, a ex-base - que é ainda a terceira com mais assistências na liga norte-americana - conta o que lhe faltou num currículo com títulos também na Europa, onde se inclui a Euroliga. "Ganhar outros títulos [da WNBA]. Em 2006 também fomos às finais com o Detroit e perdemos. Lembro-me mais das derrotas do que das vitórias. Os títulos são bons e uma pessoa fica orgulhosa, mas aqueles em que perdemos doem mais", confessou Ticha, que ainda assim faz um balanço naturalmente positivo do percurso que a levou a integrar o Hall of Fame da FIBA: "Sempre soube que queria ser a melhor jogadora possível. Não sabia exatamente o que isso significava, mas sabia que era preciso muito trabalho, sacrifício e dedicação. Também houve um pouco de sorte nos timings, nomeadamente o ir para os EUA quando a WNBA estava a começar. Tudo superou os meus sonhos."

Agora, ajuda as craques da atualidade a terem melhor desempenho. Por isso, desafiámo-la a dizer qual o melhor conselho que pode dar: "é super importante termos memória curta, para o bom e para o mau. Temos um mau jogo, há outro a seguir; ou se ganharmos por 30 pontos ou marquei 40, também é preciso seguir em frente."

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Apesar de ocupar o trono nacional, Ticha Penicheiro nunca disputou uma fase final de um EuroBasket com a Seleção Nacional. Algo alcançado no ano passado pela primeira vez, o que a levou a considerar que o "basquetebol feminino está a andar para a frente". "A FPB tem feito um bom trabalho, principalmente ao nível de seleções. Ficámos em 7.º no Mundial de sub-19 e já conseguimos competir ao mais alto nível em termos europeus. É um motivo de orgulho. Já não somos os coitadinhos. Quando jogava as pessoas tinham essa impressão mas agora competimos e queremos ganhar. Temos de ter essa mentalidade."

Crescimento que promete atingir patamares ainda maiores com Clara Silva, maior promessa portuguesa e que atua na NCAA, ao serviço de TCU, e que Ticha vê como a próxima portuguesa na WNBA: "Acho que sim, tem todos os atributos para chegar lá. Ela tem consciência disso, faltam dois anos ainda na Universidade, mas vê-se a sua evolução. No próximo ano em TCU vai ter mais responsabilidade, mas acho que ela está preparada."

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Até por viver nos EUA, Ticha Penicheiro consegue mais facilmente confraternizar com Neemias Queta. "Eles vieram jogar a Miami há cinco semanas e fomos a um restaurante português, do qual conheço o cozinheiro. Até vimos o jogo da Seleção de futebol, creio que contra o México. Foi muito giro, estava uma data de portugueses. Ele é um miúdo super humilde, trabalha imenso e tem tido um progresso incrível. Sei que é um peso enorme ser o único português na NBA mas ele leva tudo de uma maneira incrível. Espero que consiga fazer um contrato novo, pois merece", disse Ticha, confidenciando que o poste "encaixou perfeitamente" nos Boston Celtics - entretanto eliminados na 1ª ronda do playoff - e que até tem um acordo com um dos seus adjuntos. "Se cumprir determinado objetivo, pode tentar um triplo. Se ele gostava de lançar mais vezes de três? Certamente que sim", revelou, entre risos.

A carreira de Ticha Penicheiro não se fez só de WNBA. A Rússia foi um de vários países europeus onde atuou e no Spartak Moscovo encontrou um patrão no mínimo... sui generis. Falamos do magnata russo Shabtai Kalmanovich, um ex-espião que foi assassinado em plena Praça Vermelha às 17h00. "Era uma pessoa incrível no que toca ao basquetebol, dos primeiros a pagar salários elevados e que nos tratava como profissionais como éramos, muito melhor até do que na WNBA. Por causa dele muitos tiveram que se chegar à frente. Sabíamos que ele já tinha estado preso e que fora espião duplo do KGB e de Israel. Havia ali muitos pontos de interrogação, não sabíamos como tinha ganhado aquele dinheiro, mas pagava a horas. Nunca vi aquele homem com uma nota inferior a 100 dólares, cada vez que ia ao bolso eram só notas destas, parecia dinheiro do Monopólio. Um filme...."

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Por João Socorro Viegas
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