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Geraint Thomas ainda tem de aprender a usar o computador no seu novo papel como diretor da INEOS, mas, apesar de sentir saudades de correr, confessa estar a gostar da vida após a reforma como ciclista.
"Têm sido dias preenchidos, com muitas chamadas telefónicas. Tenho de aprender a usar o computador, porque nunca tive um na vida. Esse lado é diferente, mas ainda desfruto. Sinto que ainda estou envolvido no essencial deste desporto. Estive dois dias sem fazer nada e fiquei aborrecido", resumiu.
De roupa desportiva, mãos nos bolsos e uma descontração ainda maior do que quando era ciclista, Geraint Thomas disponibilizou largos minutos do seu tempo a responder aos jornalistas, que foram formando uma roda cada vez maior à sua volta, nos 'bastidores' da 52.ª Volta ao Algarve.
"Neste momento, as minhas funções são essencialmente nas corridas. Estou a aprender tudo o que acontece. Tenho estado muito com o Dave [Brailsford] nos últimos meses e sempre soube que se passavam mais coisas do que aquelas que um corredor tem noção, mas é agitado", revelou.
Um dos mais icónicos e populares ciclistas do pelotão mundial, o primeiro galês a conquistar a Volta a França (2018) retirou-se em setembro passado, aos 39 anos, e, quase três meses depois, foi nomeado diretor de corridas da INEOS, tendo agora a tarefa de "ajudar individualmente os corredores", nomeadamente os líderes Oscar Onley, Kévin Vauquelin e Carlos Rodríguez.
"Ajudá-los a planear como vão atingir os seus objetivos, usando toda a minha experiência e conhecimento. Estou realmente a gostar, é entusiasmante", assumiu.
No entanto, quando a agência Lusa lhe pergunta se tem saudades de correr, hesita, antes de soltar uma das suas tradicionais frases irónicas.
"Não senti quando estive no Tour de Provence, porque o tempo estava péssimo. Mas tenho, só que ao mesmo tempo não sinto falta do processo de ficar em forma para correr. Estou feliz por estar deste lado da barreira. Por outro lado, é estranho. Esta manhã, acordei, era dia de corrida, e não tive de vestir-me novamente de manhã", brincou.
Satisfeito com o "grande arranque" de época da INEOS, à procura de regressar aos seus tempos áureos, o também vice-campeão do Tour2019 e do Giro2023 e terceiro do Tour2022 e Giro2024 admite que há "uma grande chance" de os seus pupilos estarem na luta pelo triunfo na 52.ª Volta ao Algarve.
"O principal com estes rapazes é correrem bem juntos, comunicarem bem. Dois são recém-chegados à equipa. Há muito a aprender para todos, não apenas para eles, mas para todos à volta deles", notou.
A formação britânica apresenta-se na 'Algarvia' com o bloco mais forte entre as 24 equipas presentes, alinhando com os estreantes Oscar Onley e Kévin Vauquelin, respetivamente quarto e sétimo classificados na última Volta a França, Laurens de Plus, o terceiro classificado da passada edição da prova portuguesa, além de Filippo Ganna e Thymen Arensman.
"Tendo três ciclistas para a geral, obviamente teremos desafios, o que todos podemos compreender. É apenas o início de uma jornada juntos, eles [Onley e Vauquelin] vão ser o 'centro' da equipa. Mas também não têm de sair ali fora e ganhar de imediato", defendeu.
Para Thomas, ambos estão em boa forma e tiveram uma boa preparação. "Obviamente, estão a aprender, mas ao mesmo tempo não significa que não vamos tentar ganhar" a Volta ao Algarve, afirmou.
Vencedor da 'Algarvia' em 2015 e 2016, 'G' lembrou que esta foi uma corrida que sempre gostou de fazer.
"Tem de tudo: sprints, subidas duras, contrarrelógio. É mais fácil em termos de viagens [do que a Volta aos Emirados Árabes Unidos], mais 'discreta'. Portugal é um sítio muito tranquilo, com bom tempo", elogiou.
O galês estendeu os elogios ao pelotão "forte" desta edição, nomeando Juan Ayuso (Lidl-Trek), Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe), Paul Seixas e Matthew Riccitello, ambos da Decathlon, além do inevitável João Almeida (UAE Emirates), "que começou bem na Volta à Comunidade Valenciana e já tem isso a seu favor".
Questionado sobre se gostaria de ver o ciclista português, seu admirador confesso, na INEOS, Thomas foi perentório: "Certamente não diria não a isso".
Por Lusa