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João Almeida assume: «Ganhar uma grande volta é o meu objetivo de carreira»

João Almeida almeja vencer uma grande volta na temporada 2026
• Foto: Ricardo Nascimento

Em estágio no Algarve, preparando a nova época, o ciclista português João Almeida, da UAE Team Emirates, que entrará em ação em breve, na Volta à Comunidade Valenciana (4 a 8 de fevereiro) e logo depois na Volta ao Algarve (18 a 22 de fevereiro), tem como grandes objetivos as participações no Giro e na Vuelta e admite que o triunfo numa destas duas emblemáticas corridas “seria fenomenal”.

“Ganhar uma grande volta é o meu objetivo de carreira e tudo farei para que isso possa acontecer”, assinalou o corredor natural de A-dos-Francos, Caldas da Rainha.

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Num olhar para a época passada, Almeida faz um balanço muito positivo. “Foi a minha melhor de sempre, com muitas vitórias, de grande valor, em corridas do mais alto nível. Vai ser difícil superar o que tenho vindo a fazer ano após ano… Lamento a queda no Tour, um momento de azar, mas são coisas que fazem parte da vida de um ciclista. Nem tudo corre sempre bem… Sem esse percalço, poderia falar numa temporada ideal.”

Para 2026, a crença é elevada. “Espero sentir-me bem, como tem acontecido durante a preparação, e não sofrer percalços nem azares. Fisicamente, acho que, nesta fase, estou melhor que no ano passado, o que não é fácil, e isso deixa-me otimista e confiante. Vamos começar pela Volta à Comunidade Valenciana e espero chegar lá com boas pernas, a fim de entrar na Volta ao Algarve já com ritmo, numa corrida muito exigente e com um pelotão e corredores muito fortes”, assinala João Almeida.

Em 2026, o português não irá à Volta à França. “O plano inicial passava pelo Tour e pela Vuelta, mas discutimos a planificação no seio da equipa e chegámos à conclusão de que fazia mais sentido eu estar no Giro, para ganhar ou, se isso não suceder, para fazer o melhor possível. A equipa deu-me liberdade para eu escolher, concordou com a opção tomada, e estamos desde então concentrados nos nossos objetivos, que passam por dar tudo em busca de vitórias”, frisa Almeida, que terá um adversário de peso em Itália e que bem conhece.  “Vingegaard? Já era expectável que fosse ao Giro. É um adversário muito forte, com um currículo que fala por si, incluindo duas vitórias no Tour, e acaba por me motivar e obrigar-me a dar ainda mais de mim, numa competição que terá, com ele, ainda mais visibilidade. O Vingegaard tem a qualidade que todos lhe reconhecemos, mas ninguém é imbatível e parto com confiança no que poderemos fazer, numa prova mais aberta que a Volta à França e com as suas particularidades e, geralmente, fatores mais inesperados, como as condições meteorológicas. Mas mais do que pensar nos adversários, teremos de pensar em nós próprios.”

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Como reagiu o líder da UAE Team Emirates, Tadej Pogacar, à decisão de João, que não estará no Tour? “Acho que teve uma reação normal. Acredito que terá ficado ligeiramente triste, mas a minha ausência não vai afetar o grupo, eu lá estar não é algo fundamental para ele ganhar”, sustenta o português. E sentirá Almeida saudades das estradas de França? “Andei por lá dois anos seguidos e o Tour é o Tour, não vou negar a importância da prova, mas gosto muito do Giro.”

Almeida coloca em igual patamar as corridas de Itália e Espanha. “Atribuo a mesma importância ao Giro e à Vuelta e quero fazer o melhor possível em qualquer uma dessas provas. Talvez o Giro beneficie de uma maior atenção mediática e assuma, por isso, um valor um bocadinho superior, mas uma vitória qualquer das duas seria fenomenal. Ganhar uma grande volta é o meu objetivo de carreira e cumpre-me dar o meu melhor para que isso aconteça”, garante.

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Os adversários são muitos e bons… “Há muita gente com talento, muitos jovens a aparecer e outros sobejamente conhecidos, como Tadej Pogacar ou Jonas Vingegaard, sem esquecer o Lipowitz, que está em ascensão e a construir um percurso sólido, e vários outros, num baralho muito alargado”, sublinha o luso.

No Giro, Almeida deverá ter a companhia de um compatriota, António Morgado. “Poderá ajudar-me em todo o tipo de terreno. É um jovem, tem ainda muito por aprender, mas vejo-o muito forte e, num futuro próximo, capaz de discutir corridas de uma semana e clássicas. Tem muito potencial e espera-o um futuro brilhante”, assinala o homem da UAE Team Emirates a propósito do seu colega, adiantando: “Com os portugueses sei que posso contar a 100 por cento e é sempre bom falar a nossa língua, mas preciso igualmente dos outros ciclistas da equipa, todos são importantes.”

A saída de Juan Ayuso veio facilitar as escolhas no seio da UAE Emirates. “A sua saída libertou um bocadinho de espaço e é menos um corredor a entrar nas contas para a definição do calendário. Facilitou-me a vida na escolha das corridas em que quero participar”, confidenciou o ciclista das Caldas da Rainha.

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E se na Vuelta estiver… Pogacar? “Não sei, Creio que ele só tomará uma decisão depois do Tour. Dependerá de se sentir ou não cansado e de outros objetivos, pois tem uma camisola de campeão do Mundo para defender. Claro se que se for a Espanha será o principal líder da equipa e se tiver oportunidade de ganhar a prova irá fazê-lo”, frisa o português.

Isaac del Toro é um jovem emergente na UAE Team Emirates e irá ao Tour. “Está muito forte e tem vindo a afirmar-se nos últimos anos. É uma decisão inteligente ir a França. Gostaria de tê-lo comigo, seguramente iria ajudar-me muito, mas compreendo que queira viver uma experiência diferente. Dispomos de uma equipa forte e não terei, estou certo disso, falta de homens com capacidade para me ajudarem. A equipa tem sido muito boa para comigo, mas eu sei que chega a um ponto que tenho de ser eu e as minhas pernas a resolver os problemas. Às vezes as coisas não correm como queremos e esperamos dar uma boa resposta nos grandes objetivos de 2026”, frisa o homem de A-dos-Francos.

João Almeida sente-se agora um ciclista mais maduro. “Tenho vindo a acumular experiência e estou mais confiante nas minhas capacidades, o que é importante para tomar decisões em corrida. Acusam-me de não ir ao choque muitas vezes, mas geralmente faço-o para maximizar as pernas que tenho, acreditando que é a solução mais inteligente. Quando consigo ir choque significa que estou nível adversário e tenho essa capacidade, sabendo que essa força não vai fazer falta mais tarde”, frisa o corredor da UAE Team Emirates.

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O ciclista abordou ainda uma outra crítica que amiúde lhe é feita, o mau posicionamento no pelotão. “Às vezes fico um pouco mais para trás para poupar as pernas. É fácil apontar o dedo, mas gasta-se muita energia para estarmos bem colocados nos momentos mais críticos e muitas vezes isso acaba por não ser vantajoso. Importa não desleixar, não cair para os últimos lugares, mas a frente, pelo gasto de energia, por vezes não é o melhor sítio…” Ficaram, ainda, outras revelações: “A subir, não havendo grande resistência do ar, não há grande diferença entre ir na roda ou sozinho e muitas vezes fico só para tentar regular o meu esforço. Tem corrido bastante bem... Acima de tudo, procuro ir no meu ritmo. Foi assim que ganhei no Angliru, simplesmente porque estava mais forte.”

Acerca da Volta ao Algarve de 2026 (o ciclista não participará, refira-se, na Figueira Champions Classic), Almeida ainda não dispõe de muita informação. “Não vi muita coisa acerca dos percursos. Iremos subir a Fóia por um lado ligeiramente diferente, teremos um contra-relógio mais técnico e haverá, como sempre o Malhão. É a mais importante corrida que se disputa em Portugal, gosto muito de a fazer, até por me sentir em casa, e um dia espero vencer. Seria uma honra enorme! No ano passado esteve perto de acontecer”, disse.

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João Almeida encontra-se em estágio no Algarve. “Já subi a Fóia por várias vezes. Ainda não fui ao Malhão. Este tempo muito chuvoso que se tem feito sentir não é normal no sul de Portugal, mas no centro e no norte está ainda pior e se olharmos para outros pontos da Europa, então… As adversidades fazem parte do nosso trabalho”, diz Almeida.

Rui Costa despediu-se recentemente do ciclismo. “Agradeço-lhe por tudo o que fez pela modalidade, pela sua grande carreira e por tudo o que me ensinou. Foi uma pessoa muito importante para mim e se ele pode estar orgulhoso, nós estamos agradecidos”, referiu João Almeida, adiantando: “Estamos perante um exemplo, alguém que nos fez sonhar e acreditar.” Já sobre Rúben Guerreiro, que decidiu suspender a atividade por uma época, “espero que se restabeleça rapidamente dos seus problemas de saúde e volte ao ciclismo profissional.”

Duas grandes voltas no mesmo ano exigem uma preparação cuidada. “Na primeira vez em que participei no Giro não sabia ao que ia e não tinha experiência. Foi um desafio para o qual parti sem grandes respostas. Agora, quando vou para uma grande volta, sei o que espera, embora todas as corridas sejam diferentes. Há uma grande preparação mental e sabemos que tudo ajuda para que consigamos um grande resultado. Se voltasse atrás, seguramente fazia algumas coisas de forma diferente do que fiz na primeira vez no Giro.”

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Sepp Kuss apontou Almeida como favorito no Giro. “Isso passa-me ao lado. Não quero passar para a história como uma promessa, quero ganhar. Essas referências mostram que os adversários me têm em conta, mas ser favorito e ganhar são coisas diferentes e eu quero ganhar”, afirma Almeida.

Apontado como um dos melhores desportistas portugueses da atualidade, Almeida reage com um agradecimento. “Isso motiva-nos e dá-nos força para continuarmos a trabalhar, de forma consistente. Espero continuar a subir no ranking dos melhores desportistas nacionais, pois assim ficarei ligeiramente mais perto do Cristiano Ronaldo…”, diz, em tom bem-humorado.

Por Armando Alves
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