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O doping é, muitas vezes, um tema tabu no seio do ciclismo profissional... não para Keegan Swirbul, norte-americano da Efapel que, no fim de semana em que conquistou a 2.ª etapa e a classificação geral do GP Douro Internacional, decidiu abrir o livro sobre os mais conhecidos casos dos últimos anos. De António Carvalho a José Neves, passando por Nuno Ribeiro, o ciclista de 30 anos falou do que tem vivido em Portugal num vídeo publicado no seu canal de YouTube (KeggaGee, tem quase 4 mil seguidores) e que conta já de 16 mil visualizações.
Um dos maiores casos de doping no ciclismo nacional é o da equipa W52-FC Porto, grande dominadora que caiu com estrondo em 2022. Nessa equipa estava José Neves, que foi suspenso durante 4 anos e voltou esta época ao serviço da GI Group Holding para ser 4.º na Volta a Portugal. Keegan levanta suspeitas e, acima de tudo, aponta o dedo a quem o contratou.
"Ele regressou ao ciclismo este ano depois da suspensão - sublinho, tinha todo o direito de o fazer - e começou a correr muito bem. Eu acho que ele tem um grande motor, só porque te dopas não significa que sejas um ciclista geneticamente pouco talentoso, podes ser um fenómeno e também dopar-te, certo? Mas incomoda-me, e a outros ciclistas também, que este tipo tenha regressado. Depois de te dopares uma vez, porque é que não haverias de o fazer novamente?", atirou.
"Uma equipa contratou este tipo depois de o ciclismo português ter sido devastado por escândalos de doping. Porque o contrataram? Vocês estão a prejudicar os vossos jovens talentos! Já estão tão prejudicados pelos escândalos de doping que aconteceram que já são completamente descartados por todas as equipas estrangeiras simplesmente por serem portugueses", disse o corredor/youtuber.
A mais recente suspensão no ciclismo português pertence a António Carvalho. O ex-Feirense foi suspenso por quatro anos devido a anomalias no passaporte biológico e também mereceu a atenção de Keegan Swirbul.
"Segundo um artigo, este tipo apresentava anomalias no passaporte biológico desde 2018, 7 anos antes de se retirar. Ele fazia o clássico, aparecia na primavera pesado e era deixado para trás em todas as subidas, mas bastava nos aproximarmos da Volta a Portugal e ele aparecia sem gordura no corpo... Parecia doente. Não sei quantas drogas injetava no próprio corpo, claro que outras drogas também, porque, meu Deus, aquele tipo... Assustador", referiu, explicando a sua teoria.
"O que é que ele fazia? Corticosteroides. E, na verdade, podem ser usados legalmente. Esta é a clássica zona cinzenta. Podem conseguir uma Autorização de Utilização Terapêutica e usar legalmente. Estes esteroides fazem perder peso muito rapidamente, preservando toda a massa muscular, mantendo bons níveis de energia. Podem pedir ao vosso médico para vos prescrever isso e depois têm de apresentar o pedido à UCI ou à Federação Antidoping do vosso país. E, se for aprovado, podem realmente utilizar isto. Têm de estar a duas semanas da competição, mas podem utilizá-lo. Vai destruir a vossa saúde, destruir as vossas hormonas, deixar-vos completamente lixados a longo prazo, mas podem fazê-lo. E muita gente abusa disso, especialmente em Portugal, pelo que tenho visto."
Outro caso de doping que Keegan abordou no vídeo, foi o de Frederico Figueiredo, que, segundo o ciclista da Efapel, competiu por um ano com o aviso de irregularidades no seu passaporte biológico.
"Em 2024, a meio da temporada, este tipo desapareceu um pouco, teve uma queda? Era suposto voltar a correr e toda a gente começou a perguntar: o que se passa com o Fred?", recordou.
"Entretanto ele regressa e está na Volta a Portugal, faz a corrida e a equipa acaba por ganhar nesse ano [com Artem Nych] e, no movimento decisivo, o Frederico esteve lá muito envolvido. Algumas semanas depois acaba por vencer a segunda maior corrida em Portugal, o GP JN. Mais tarde descobrimos que este tipo tinha sido notificado um ano antes e de que sabiam que o seu passaporte biológico tinha irregularidades", revelou, rematando.
"A Anicolor deixou o seu ciclista continuar a competir e a ganhar corridas durante um ano inteiro enquanto decorria esta investigação por doping, imaginem... quão corrupto tens de ser para permitir que alguém faça isso?", apontou Swirbul.
No último tópico do vídeo o ciclista da Efapel, abordou a possibilidade de Tadej Pogacar estar dopado, mas o mesmo desconfia, pois acredita que o esloveno é bastante regular ao longo de toda a época, algo que não acontece com ciclistas que usam substâncias.
"Aquele doping clássico do Lance Armstrong, com sacos de sangue e seringas e essas coisas, acho que ele não faz isso, é demasiado consistente e é testado várias vezes"
"Será possível que o Pogacar e outros ciclistas estejam a fazer alguma coisa que está muito longe do nosso radar? Provavelmente! Doping genético, doping mitocondrial, há algumas coisas por aí que, tenho a certeza, provavelmente vamos descobrir nos próximos anos, e se o estiverem a fazer, mérito para eles, porque estão à frente da medicina e têm os recursos. O conhecimento e a ciência para fazer estas coisas antes de sequer estarem no radar das federações", concluiu.