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FORAM precisos dois anos e dois meses para o ciclista francês Richard Virenque arranjar coragem para confessar que recorreu a substâncias dopantes. Terça-feira, no segundo dia do julgamento do famoso ”caso Festina”, o trepador gaulês confessou aquilo que todos já sabiam, mas que o corredor tardava em admitir.
”Tomei substâncias dopantes. Não tive escolha”, assim respondeu Virenque ao juiz Daniel Delegove, que perguntou ao atleta se ele reconhecia ter tomado produtos dopantes.
A bombástica confissão de Virenque, que marcou, naturalmente, a sessão de terça-feira do julgamento, surge apenas um dia depois de o ciclista ter dito, no mesmo tribunal, em Lille, desconhecer que o antigo médico da Festina lhe administrava substâncias dopantes – ”pensava que eram vitaminas”, frisou –, e dois anos e dois meses depois de ter ”rebentado” o ”caso Festina” no Tour de 98.
Recorde-se que, na altura, todos os ciclistas da equipa que disputavam a Volta à França, entre os quais o suíço Alex Zulle, admitiram terem ingerido ”doping”. A excepção foi, mesmo, Richard Virenque, que até terça-feira teimava em negar o recurso a substâncias proibidas.
Curiosa foi, de resto, a reacção do juiz às declarações de Virenque. ”Ao fazer esta confissão, você sai engrandecido. Agora, poderá olhar-se ao espelho”, disse, sublinhando, todavia, que os feitos do corredor ficarão, agora, ”ensombrados” por terem sido conseguidos à custa do ”doping”.
VIRENQUE SUSPENSO
A consequência mais imediata da confissão de Richard Virenque prende-se com sanções desportivas. O ciclista, tal como aconteceu com os seus ex-colegas, vai, ao que tudo indica, ser castigado, podendo ser suspenso até um ano de todas as competições sob a égide da União Ciclista Internacional (UCI).
O castigo mínimo, para estes casos, é de seis meses. Perante este cenário, o francês poderá, mesmo, optar pelo abandono do ciclismo, uma vez que tem 31 anos e também porque encontra-se sem equipa, pois a Polti anunciou que deixará a modalidade.
O TESTEMUNHO DE LEBLANC
As emoções vividas, terça-feira, no tribunal de Lille não se resumiram à confissão bombástica de Richard Virenque. Também o ex-ciclista francês, Luc Leblanc, que se retirou da competição o ano passado, admitiu perante o mesmo juiz que recorreu ao ”doping” desde 1994, ano em que se sagrou campeão mundial de estrada.
Todavia, fez questão de frisar que a conquista da camisola arco-íris não se ficou a dever à Eritropoeitina (EPO), uma das substâncias que admite ter tomado. Mas esta tese foi prontamente negada por Willy Voet, um dos arguidos no processo e na altura massagista de Leblanc.
Voet afirmou ter administrado ao francês, entre outras coisas, uma ampola de EPO no dia do Campeonato do Mundo, e na véspera, uma pequena quantidade de corticóides.
Leblanc, esse, explicou que recorreu ao ”doping” para estar ao mesmo nível dos outros corredores que também se dopavam.
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